A origem do termo reumatismo vem do grego antigo e significa "fluir" ou "fluxo". Por um lado, essa etimologia reflete a crença da medicina da época, que achava que o reumatismo seria derivado de certos fluidos viscosos que "fluem" no corpo.

Hoje sabemos que não é bem assim, mas, por outro lado, se pararmos para analisar bem o termo, notamos que ele pode fazer alusão à tendência dos sintomas reumáticos, principalmente quando se trata da dor, que é capaz de afetar diferentes tecidos e áreas do corpo durante o curso da doença. Por isso, muitos pacientes acometidos por esses quadros afirmam que sentem algo como uma "dor fluente".

Digo "esses quadros" pois o reumatismo não é uma doença apenas, mas um termo geral que indica mais de 200 patologias diferentes, que divergem em causa, curso e dano causado no corpo humano.

E o que as une nesse mesmo agrupamento? O fato de afetarem, principalmente, o tecido conjuntivo e de suporte do sistema musculoesquelético, composto pelos ossos, músculos e tendões, articulações, bursas e ligamentos. Além desses, existem outras variantes da doença que também podem afetar outros órgãos e tecidos, como o coração, os vasos sanguíneos, os pulmões, os rins, a pele, o intestino, os olhos etc.

Algumas formas conhecidas de reumatismo são: artrose, artrite reumatoide, lúpus, gota, osteoporose, tendinite, bursite e fibromialgia.

Cuide-se melhor a partir de hoje!

"Conhecer os fatores de risco para esse grupo de doenças é essencial para não ser acometido pela patologia ou minimizar seus sintomas.

Alguns exemplos identificados são: sedentarismo; fatores ambientais; avanço da idade; posturas inadequadas; falta da vitamina D; processos infecciosos; obesidade; alimentação inadequada; consumo excessivo de álcool; tabagismo; estresse; ansiedade; depressão; alterações genéticas específicas, entre vários outros", alerta o Dr. Fernando Henrique Souza, reumatologista do Hospital 9 de Julho.

E, afinal, existe prevenção contra o reumatismo? Se nos basearmos nos fatores de risco citados acima, fica evidente que alguns podem ser evitados, porém, outros não. O especialista destaca: "É importante modificar alguns hábitos nocivos, preservando a integridade do sistema locomotor e do organismo como um todo. Também é essencial a prevenção secundária, ou seja, quando o paciente apresenta os primeiros sintomas da doença e imediatamente inicia o tratamento medicamentoso e não medicamentoso para bloquear seu avanço.".

De qualquer forma, nossas principais recomendações são: priorize uma dieta equilibrada, pratique exercícios físicos regularmente para melhorar sua condição aeróbica e estimule a força muscular, resistência e flexibilidade. Além disso, evite o álcool em excesso, não fume, utilize calçados adequados e cuide da postura física todos os dias, fugindo de esforços excessivos e/ou repetitivos.

Como identificar a presença de dores reumáticas?

Essa não é uma tarefa fácil, uma vez que os sintomas dos diferentes tipos de reumatismo variam muito entre si, até mesmo pela quantidade de possibilidades, dependendo também da parte do corpo afetada. Porém, vamos ressaltar os sinais mais comuns:

·      dor nas articulações, especialmente nas mãos e nos pés;

·      inchaço, vermelhidão e calor na área afetada;

·      psoríase acompanhada de dor nas articulações;

·      lesões na pele ou úlceras;

·      rigidez matinal;

·      fadiga acompanhada de febre ou perda de peso;

·      deformação das mãos e presença de nódulos nas falanges;

·      ruídos nas juntas, isto é, estalos e "rangidos", como se houvesse atrito interno;

·      olhos e boca muito secos;

·      dificuldade em se mover e fazer gestos simples.

Se você já teve algum desses sintomas, consulte um especialista o mais rápido possível, uma vez que tais queixas podem não corresponder necessariamente ao início da doença, e um diagnóstico precoce permite intervir com a terapia mais adequada e precisa, de forma a melhorar a qualidade de vida do paciente.

Embora algumas formas de reumatismo (como osteoartrite, pseudogota e osteoporose) estejam relacionadas com a idade, afetando, sobretudo, os idosos, é importante destacar que adultos, crianças e adolescentes também podem ser acometidos por formas reumáticas inflamatórias, como a artrite idiopática juvenil (AIJ), as vasculites e a esclerodermia.

Quais são os principais grupos de reumatismos?

A prevalência das doenças reumatológicas é variável, a depender da população a ser estudada. Entre todas as possibilidades, o Dr. Fernando Henrique Souza cita algumas mais comuns:

1 – Reumatismo de partes moles - compreende estados dolorosos agudos ou crônicos que comprometem as estruturas periarticulares, como músculos, bursas, fáscias, aponeuroses e tendões. Os regionais estão associados a vícios posturais ou alterações anatômicas, incluindo-se, nessa categoria, os quadros miofasciais e as neuropatias por compressão. Alguns exemplos dos localizados são as tenossinovites dos flexores dos dedos das mãos, as bursites subacromial, trocantérica e olecraniana e as tendinites patelar e anserina (pata de ganso).

2 – Osteoartrite - é o mesmo que artrose ou doença articular degenerativa. Uma das mais frequentes representa 30-40% das consultas em reumatologia, mais comum com o envelhecimento, após os 60 anos. Simplificadamente, caracteriza-se pelo desgaste da cartilagem e por alterações ósseas, entre elas os osteófitos, conhecidos popularmente com "bico de papagaio". Dividida em primária (sem causa conhecida) e secundária (pode ser decorrente de traumas, desvios articulares ou mesmo causas metabólicas), manifesta-se com dor articular, rigidez de manhã, limitação e até deformidade.

3 – Doenças autoimunes - aqui são várias, mas destaco a artrite reumatoide, doença inflamatória sistêmica em que o sistema de defesa ataca o próprio paciente, caracterizando-se pelo acometimento de uma membrana das articulações (sinóvia), principalmente nas mãos, nos punhos e nos pés, bilateralmente. A prevalência é de 0,5-1% da população geral, predominantemente mulheres entre 30-50 anos. Se não adequadamente tratada, de caráter crônico e destrutivo, limitação funcional, perda da capacidade laboral e comprometimento da qualidade de vida são consequências.

Saúde dos familiares: entenda o papel da predisposição genética na ocorrência dessas doenças

Atenção: algumas doenças reumatológicas têm influência genética. O médico do H9J explica que condições como artrite reumatoide, artrose, espondilite anquilosante, lúpus eritematoso sistêmico, artrite psoriásica e até mesmo fibromialgia podem afetar membros da família de algum portador da doença e também ser transmitida por gerações. Portanto, se em sua família existem um ou mais portadores de doenças reumáticas, esteja sempre atento aos primeiros sinais!

O Dr. Fernando pontua que, atualmente, estão sendo elaborados estudos genéticos sobre as doenças reumatológicas com foco na modificação dos genes que carregam a patologia, tendo como objetivo a prevenção e o tratamento de algumas dessas enfermidades. Segundo o especialista, já é sabido que o gene transmissor de alguns tipos de reumatismo pode "pular" uma geração quando a anterior o desenvolveu e, mesmo que ele esteja presente, pode não se manifestar. Isso explica por que, em contrapartida, há quem não possua histórico familiar identificado e, ainda assim, acaba desenvolvendo uma doença reumatológica.

"A prevenção e o diagnóstico precoce são essenciais em qualquer doença, e as condições reumatológicas não são exceção à regra. Minimizam-se as chances de sequelas, melhorando a qualidade de vida. O ideal é procurar ajuda do reumatologista o mais cedo possível, quando os primeiros sintomas se manifestarem.

Fique atento a dores articulares, rigidez articular, dificuldade de movimentação, dor na lombar, inchaço das juntas, cansaço inexplicável, lesões na pele persistentes, boca seca e olho seco, formigamento em braços e pernas, abortamentos de repetição, entre outras manifestações. Ao identificar a enfermidade reumatológica, o melhor tratamento deve ser instituído, de modo a oferecer ao paciente acometido uma vida de qualidade", reforça o especialista em reumatologia.

E quanto aos tratamentos?

Mais uma vez, o grande número de patologias envolvidas no grupo dos reumatismos impossibilita a definição de um tratamento específico, uma vez que isso pode variar com base no agente de acionamento. Algumas doenças podem ser curadas ou interrompidas, outras envolvem o controle da inflamação e da dor. Entre possíveis soluções estão a prática de exercícios físicos, massagens e fisioterapia para áreas específicas, medicamentos de ações variáveis e até mesmo cirurgias.

Se você suspeita que tem reumatismo, marque uma consulta com um especialista. Assim, é possível introduzir o tratamento adequado logo que aparecem as primeiras manifestações da doença, para impedir que ela progrida.


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