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Oncologia

5 minutos de leitura

Glioblastoma: entenda a gravidade desse tipo de tumor cerebral

Câncer é considerado bastante agressivo em sua forma mais grave; felizmente, existem tratamentos disponíveis
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Dr. André de Macedo Bianco - Neurocirurgião Atualizado em 08/02/2024

Glioblastoma multiforme ou astrocitoma grau 4 é uma forma agressiva de câncer cerebral que se desenvolve a partir das células gliais, responsáveis por manter o funcionamento das células nervosas do cérebro. É um tipo de tumor que representa um desafio significativo no campo da oncologia devido a sua natureza invasiva e de rápida proliferação. Continue a leitura para conhecer melhor a doença e seus tratamentos. 

O que é Glioblastoma Multiforme?

Os gliobastomas são tumores cerebrais que se originam nas células da glia, que estão presentes no sistema nervoso e ajudam no funcionamento dos neurônios. O gliobastoma multiforme, especificamente, se origina em uma célula chamada astrócito, por isso, também são chamados de astrocitomas de grau 4. 

A maioria dos gliomas afeta pacientes com mais de 40 anos, exceto os de grau 1, que são mais comuns na população pediátrica. 

Graus de Glioblastoma

A classificação dos gliomas (e tumores cerebrais) é feita de acordo com diretrizes da OMS (Organização Mundial da Saúde). De acordo com a entidade, os gliomas variam do grau 1 (mais benigno) ao grau 4 (mais maligno).  

Essa graduação é feita por meio da análise das células tumorais no microscópio e pode ser complementada por análise genética (DNA das células tumorais) e molecular. 

A graduação dos gliomas (astrocitomas) está relacionada com a agressividade da lesão, velocidade de crescimento e nível de malignidade do tumor. 

Grau 1 

Astrocitoma Pilocítico**:**   é um tumor bem circunscrito e cresce lentamente. Mais comum no cerebelo, ou seja, a parte do cérebro localizada na parte de trás da cabeça. Não invade o cérebro circundante, portanto, quando ressecado completamente, é considerado curado e não requer quimioterapia ou radioterapia. 

Xantoastrocitoma pleomórfico**:**  considerado raro, origina-se mais frequentemente nos lobos temporais e está comumente associado a convulsões. A cirurgia geralmente é curativa. 

Grau 2 

Astrocitoma difuso**:** é um tumor invasivo, portanto, não há separação nítida do cérebro com a lesão e a cirurgia em si pode não ser suficiente para sua cura. A aparência do tecido é apenas moderadamente diferente de um cérebro normal, mas as células parecem anormais ao microscópio e ligeiramente aumentadas em número. 

Grau 3 

Astrocitoma anaplásico**:** é uma lesão com características mais agressivas, incluindo uma maior taxa de crescimento e invasão no tecido cerebral. A cirurgia nunca é considerada curativa para esses tumores e precisa ser seguida de radiação e, quase sempre, de quimioterapia. 

Grau 4 

G****lioblastoma multiforme (GBM)****: é a forma mais maligna, agressiva e comum (60%) de astrocitomas. O GBM pode se originar a partir da progressão maligna de um astrocitoma de grau inferior previamente existente (geralmente em 10% dos casos); ou originar-se diretamente como um tumor de grau 4 (90% dos casos). O primeiro cenário é mais comum em pacientes mais jovens, enquanto o último é mais comum após os 60 anos. Independentemente de sua apresentação, esse tumor é um câncer altamente agressivo, com invasão e destruição cerebrais pronunciadas e progressão muito rápida. 

Quais são as causas do Glioblastoma?

As informações sobre mutações genéticas que causam esse tipo de tumor ainda são escassas. O que se sabe é que o aparecimento do glioma pode ter algum tipo de correlação com o surgimento de síndromes neurológicas específicas como a de Li-Fraumeni, Turcot, neurofibromatose e esclerose tuberosa.   

Dentre as causas externas, a exposição a radiações ionizantes tem sido associada ao aparecimento tardio de astrocitomas. Os indivíduos em risco particular são aqueles expostos à radioterapia terapêutica na região da cabeça e do pescoço durante a infância (ou seja, para o tratamento de leucemias ou outros tumores cerebrais). O intervalo entre a exposição à radiação e o aparecimento do astrocitoma pode ser de 20 a 30 anos. 

Quais são os sintomas de Glioblastoma?

A manifestação de sintomas está relacionada com a localização cerebral do tumor. De forma geral o quadro clínico se apresenta por meio de cefaleia (dor de cabeça) persistente, mais intensa na parte da manhã, e que pode até despertar o indivíduo durante o sono. 

Outro sintoma que pode se desenvolver, dependendo da localização do glioma, é o de visão comprometida. No caso, o paciente pode apresentar visão embaçada ou dupla. 

Crianças que apresentam o tumor na região do cerebelo sofrem com instabilidade motora, desequilíbrio e irritabilidade constante. 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do glioblastoma é feito por meio de biópsia ou ressecção da lesão. Durante a consulta, o especialista poderá se utilizar de alguns protocolos de avaliação da coordenação, sentidos e reflexos do paciente.  

Baseado nessa primeira análise, e nas queixas relatadas pelo paciente, o médico indica alguns exames de imagem. Os mais comuns são a tomografia computadorizada e a ressonância magnética. 

A principal função desses exames é identificar e localizar alguma massa ou lesão fora do usual. Comumente esse diagnóstico se dá na própria ressonância magnética. 

Glioblastoma tem cura?

Os astrocitomas pilocíticos grau 1, principalmente, por serem menos invasivos, possuem chance maior de cura por meio da retirada total da lesão. A cura pode não ser alcançada conforme aumenta o grau de malignidade; contudo, os tratamentos atuais promovem um controle da doença com melhora da expectativa e qualidade de vida.  

Leia mais: entenda mais sobre a especialidade de neurocirurgia 

Tratamento para Glioblastoma

A cirurgia é o primeiro passo para o tratamento dos gliomas, pois oferece dois benefícios importantes: ela obtém tecido tumoral para estabelecer um diagnóstico, oferece a possibilidade de remover o máximo de tumor com segurança para aliviar o efeito da massa e reduzir o inchaço; e ainda facilitar a resposta às terapias adjuvantes, quando indicadas.  

A decisão de realizar uma biópsia simples ou uma ressecção completa, no entanto, depende de vários fatores, mas principalmente da localização do tumor e das condições clínicas do paciente. 

Entre as opções de terapias complementares ou adjuvantes, temos:  

  • Quimioterapia com TMZ: a temozolomida (TMZ) é um medicamento administrado por via oral que age modificando ligeiramente o DNA das células tumorais. Esse efeito no DNA desencadeia sua quebra e consequente morte, a menos que os mecanismos de reparo do DNA substituam o dano.  

    TMZ é agora um tratamento de primeira linha bem estabelecido para glioma de grau 3 e 4 e ocasionalmente também é usado para tumores de grau 2 (quando eles não são completamente ressecados na cirurgia ou se sua análise genética não for favorável). Os efeitos colaterais são bastante brandos e incluem anemia e fadiga. 
  • Radioterapia: a radiação tem sido a base do tratamento dos gliomas nos últimos 50 anos e é extremamente eficaz, pelo menos nos primeiros meses após o tratamento. A radiação também atua danificando o DNA das células tumorais, induzindo assim a sua morte. Os efeitos colaterais são perda de cabelo local (geralmente temporária) e fadiga. Os efeitos colaterais de longo prazo são alterações cognitivas. 

Qual especialista trata Glioblastoma?

O glioblastoma é tratado por uma equipe multidisciplinar de especialistas, incluindo neurocirurgiões, oncologistas e radioterapeutas.

Escrito por
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Dr. André de Macedo Bianco

Neurocirurgião
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