Logo

Infectologia

1 minuto de leitura

HIV/Aids: O melhor caminho ainda é a prevenção

Leia mais e tenha informações seguras sobre saúde.
H9J
Equipe Hospital Nove de Julho - Corpo Clínico Atualizado em 30/11/2017

Entre 2007 e 2016, foram diagnosticados mais de 136 mil casos de infecção pelo HIV no Brasil, de acordo com o Boletim Epidemiológico HIV/Aids, do Ministério da Saúde. Desde o início da epidemia de Aids, em 1980, até dezembro de 2015, 303 mil pessoas morreram vítimas da doença no Brasil.

No Dia Mundial de Luta contra a Aids, em 1º de dezembro, o alerta sobre os cuidados contra a doença precisam ser reforçados. Com os medicamentos antirretrovirais e a nova expectativa de vida para os portadores da doença, os cuidados também diminuíram. "A camisinha é ampla e irrestrita - serve de barreira contra todas as DSTs. Por isso, usá-la é sempre boa ideia. Nenhuma ferramenta se mostrou tão eficaz quanto o preservativo", explica a Dra. Sumire Sakabe, infectologista do H9J. 

Ela destaca que o Brasil conta com um sistema de saúde que provê diagnóstico, tratamento e acompanhamento gratuitos para os portadores. "Não buscar o diagnóstico e o tratamento é virar as costas para a possibilidade de viver bem, por muito tempo", afirma.

Confira agora uma entrevista com a Dra. Sumire Sakabe com um panorama sobre a doença

Saiba mais sobre a doença e previna-se 

No dia 1º de dezembro, celebra-se o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. A Dra. Sumire Sakabe, infectologista do H9J, traça um panorama do HIV/aids no Brasil, abordando prevenção, diagnóstico e tratamento. E dá a dica: prevenir continua sendo o melhor remédio!

Dra. Sumire, qual é o cenário atual da doença no Brasil?

Dra. Sumire – De 2007 até junho de 2016 foram notificados 136.945 casos de infecção pelo HIV no Brasil, de acordo com o Boletim Epidemiológico HIV/aids do Ministério da Saúde. Desde o início da epidemia, em 1980, até 2015, 303 mil pessoas morreram em decorrência da aids. A taxa de detecção da doença tem apresentado estabilização nos últimos dez anos, com 19,1 casos para cada 100 mil habitantes em 2015. 

Os jovens não conviveram com os dias mais sombrios da doença, com altas taxas de mortalidade. Por isso, a visão para eles é que a doença é menos agressiva. A senhora acha que esse fator banaliza o HIV e, por consequência, aumenta a incidência de novas infecções?

Graças ao tratamento antirretroviral, muitas pessoas com HIV levam uma vida produtiva sem que o vírus atrapalhe suas trajetórias. Graças à longa jornada contra a desinformação e preconceito, viver com HIV é encarado de forma muito mais aberta. Certamente esses fatores mudam a postura da sociedade em relação à doença. Antes temida, escondida e fatal, hoje é controlável. Isto certamente tira um pouco do peso do diagnóstico. Se isto faz com que as pessoas se exponham mais, não sei. Esquecer a camisinha não é "privilégio" dos "jovens". Nós "esquecíamos" também. Não à toa, 35 milhões de pessoas já morreram com HIV no mundo.  

Não há como falar em prevenção contra a aids sem falar em camisinha. A senhora pode destacar a importância da prevenção e a necessidade de utilização do preservativo em todas as relações sexuais.

A despeito das outras estratégias disponíveis para prevenção de HIV, nenhuma ferramenta se mostrou tão eficaz como o preservativo para proteger contra HIV e outras DSTs. Mesmo a PreP (Profilaxia Pré-Exposição) sendo efetiva para a prevenção do HIV, desde que usada de forma adequada, ela não protege contra sífilis, gonorreia, hepatites virais, clamídia etc.  A circuncisão masculina também protege (menos que a PreP) contra infecção pelo HIV, mas não impede a infecção por outras DSTs. Já a camisinha é ampla e irrestrita - serve de barreira contra todas as DSTs. Por isso, usar camisinha é sempre boa ideia.

Houve avanços muito significativos nas medicações que controlam a doença, a ponto de os portadores reduzirem a quase zero a carga viral detectável. Comente sobre esses e outros avanços.

Temos a sorte de contarmos com um sistema de saúde que provê diagnóstico, tratamento e acompanhamento gratuitos para nossos doentes, inclusive com HIV. O SUS oferece tratamento e monitoramento adequados, de forma gratuita, para todas as pessoas que precisarem. Temos acesso, hoje, aos medicamentos mais modernos, altamente eficazes (mas infelizmente não livres de efeitos adversos, como para qualquer medicamento). Há uma rede de laboratórios para exames de alta complexidade (genotipagem, tropismo) para que os tratamentos sejam adequadamente escolhidos para cada paciente. Não buscar o diagnóstico e o tratamento é virar as costas para a possibilidade de viver bem, por muito tempo, com o HIV. 

De quanto em quanto tempo as pessoas deveriam fazer exame de HIV? Quais outras DSTs devem ser testadas? 

Todas as pessoas deveriam fazer o exame de HIV (e sífilis) pelo menos uma vez na vida. Para as pessoas que persistem sob risco de infecção (e não estou falando só de profissionais do sexo, nem de pessoas com múltiplos parceiros - estou falando também do casal monogâmico no qual uma escapadela sempre é possível e nem sempre comunicada, estou falando da adolescente apaixonada pelo primeiro namorado no colégio - todo mundo com vida sexual ativa tem, em maior ou menor grau, risco de infecção pelo HIV), a testagem deve ser repetida periodicamente (uma vez por ano). Porque saber é sempre melhor que não saber.  

Onde fazer o exame de HIV?

O HIV pode ser diagnosticado, via exame de sangue ou saliva, nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTAs), de forma gratuita. Vale lembrar que banco de sangue não é lugar de fazer exame para nossa saúde! Nesse link é possível saber onde há um centro de testagem mais próximo clicando aqui

Se o resultado for positivo, o que fazer? 

Um teste negativo é fôlego para continuar se cuidando. Um teste positivo é o sinal para se cuidar ainda mais. Não guarde o exame positivo na gaveta. Ele demanda ação. Todas as pessoas infectadas pelo HIV devem iniciar tratamento o mais breve possível. E como disse, ele está disponível gratuitamente no SUS.  

Se achar que pude ter contato com o HIV em uma relação sexual desprotegida, há algo que se possa fazer para não ser infectado? 

Se você é negativo (ou acha que é) e se expôs (preservativo estourou, transou com pessoa infectada pelo HIV sem se proteger), pode procurar PEP (profilaxia pós-exposição). Veja onde neste link. Em até 72h (e quanto mais precoce melhor) da exposição, usar medicamentos antirretrovirais pode proteger da infecção.  

Se você é negativo (ou acha que é) e acha que tem risco muito aumentado de se infectar: é homem e faz sexo com outros homens, é pessoa trans, tem múltiplos parceiros (profissionalmente ou não), talvez você se beneficie de PreP (profilaxia PRÉ exposição). Com um comprimido ao dia, você pode diminuir a chance de se infectar pelo HIV (só pelo HIV, infelizmente). A PreP está sendo gradualmente implementada no Brasil, a princípio em algumas capitais, com intenção de se estender a todos que tiverem indicação. Fique de olho!

Para marcar consultas e exames, ligue para 11 3147-9430.

Escrito por
H9J

Equipe Hospital Nove de Julho

Corpo Clínico
Escrito por
H9J

Equipe Hospital Nove de Julho

Corpo Clínico