Logo

Câncer

6 minutos de leitura

Câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres

Tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil
BM
Dra. Bruna Migliavacca Zuchetti - Oncologista Atualizado em 06/11/2023

O câncer de mama o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil. A doença se origina nas células mamárias e pode apresentar diversos tipos, estágios e características. Ele costuma ter maior incidência após os 35 anos --mas é mais comum de ser detectado após os 50 anos. Continue a leitura para saber mais sobre esse tipo de tumor, como ele é diagnosticado e os tratamentos disponíveis atualmente.  

O que é câncer de mama?

O câncer de mama é uma doença maligna que se desenvolve a partir das células da mama, podendo atingir tanto homens quanto mulheres --embora seja muito mais comum no sexo feminino. 

 
Existem diferentes tipos de câncer de mama, sendo os mais comuns:  

  • Carcinoma ductal, que atinge a parede dos dutos de leite da mama e pode rompê-la, se infiltrando no tecido adiposo da mama; 

  • Carcinoma lobular, que se desenvolve nos lóbulos mamários (as glândulas produtoras de leite). 

Além desses, há subtipos (mais ou menos agressivos) que variam de acordo com as características das células cancerígenas. 

Fatores de risco para o câncer de mama

A maior parte dos casos de câncer de mama se manifesta em mulheres sem histórico familiar da doença. No entanto, o fato de ter alguém na família com o câncer pode incluir a paciente em um grupo de maior risco, fazendo com que seja necessário um acompanhamento mais rigoroso pelo ginecologista ou mastologista.  

Além do histórico familiar, outros fatores de risco são:  

  • Idade (casos são mais comuns depois dos 50 anos); 
  • Fazer uso de reposição hormonal; 
  • Obesidade; 
  • Consumir bebida alcoólica em excesso; 
  • Fumar. 

Sintomas do câncer de mama

Na maioria dos casos, as pacientes com câncer de mama não apresentam sintomas. Quando eles surgem, geralmente são:  

  • Alterações na pele das mamas (que pode ficar com aspecto de casca de laranja); 

  • Alterações na forma ou na cor das mamas: 

  • Dor nas mamas

  • Secreção saindo pelos mamilos; 

  • Caroços ou nódulos palpáveis nas mamas ou axilas. 

 

Diagnóstico do câncer de mama

O diagnóstico do câncer de mama geralmente envolve a realização de alguns exames para comprovar a doença. 

O principal deles é a mamografia, exame radiológico feito nas mamas que tem alta resolução e fornece imagens detalhadas que auxiliam na identificação precoce do câncer de mama.  

A recomendação de muitas sociedades médicas é de que a mamografia seja feita regularmente a partir dos 40 anos; já o Ministério da Saúde preconiza realizar o exame periodicamente entre 50 e 69 anos. 

Além da mamografia, outros exames complementares podem ser necessários, dependendo da idade da paciente, do tipo de lesão e da história familiar. Alguns exemplos são a ultrassonografia e a ressonância magnética das mamas.  

Já as biópsias de tecido normalmente identificam qual é o tipo da lesão com segurança. Para as lesões com diagnóstico positivo de malignidade, um segundo exame será realizado no material coletado: o estudo dos receptores hormonais e da presença da oncoproteína Her2.  

Além disso, hoje também já é possível a avaliação genômica do tumor, um exame chamado de painel genômico. Ele é realizado no material do tumor após a cirurgia e ajuda o oncologista a decidir se há necessidade ou não de realizar quimioterapia para aumentar as chances de cura 

Essas informações são importantes para definir os próximos passos do tratamento da paciente, como se ela será ou não submetida à quimioterapia, por exemplo. 

Tratamentos para o câncer de mama

O tratamento do câncer de mama é baseado nas necessidades de cada paciente, com um desenho individualizado de cuidados para cada tipo de câncer. 

Os tratamentos disponíveis hoje para o câncer de mama incluem a cirurgia para retirada do tumor (ou da mama, dependendo da agressividade da doença). Ela é complementada por sessões de quimioterapia, hormonioterapia, uso de anticorpos contra a oncoproteína Her 2 e, em alguns casos, de radioterapia também.  

Qual a importância da detecção precoce o câncer de mama?

O diagnóstico precoce é essencial, pois, se detectada no início, a doença tem maior chance de cura e permite o uso de tratamentos menos agressivos.  

Para se ter uma ideia, dados da SBM (Sociedade Brasileira de Mastologia) indicam que, quando o câncer de mama é detectado em seu estágio inicial, as chances de cura giram em torno de 90%. 

Nesse sentido, a realização dos exames de rotina é especialmente importante, pois, na maioria das vezes, as pacientes com câncer de mama não apresentam sintomas. 

Autoexame das mamas

O autoexame das mamas é um importante aliado no diagnóstico precoce do câncer de mama, já que auxilia a mulher a observar o próprio corpo, conhecê-lo e, assim, notar com mais facilidade se houver alguma mudança suspeita que indique a doença.  

O autoexame deve ser feito uma vez por mês, sempre na semana seguinte ao término da menstruação.  

Mas, lembre-se: o autoexame não é diagnóstico. Portanto, ele não substitui a consulta com o mastologista ou ginecologista nem os exames de rotina (como a mamografia).  

Mitos e verdades sobre o câncer de mama

1. A amamentação protege contra o câncer de mama

Verdade. A última fase do desenvolvimento da glândula mamária ocorre com a gestação e a amamentação, o que torna a mama menos propensa a desenvolver câncer.  

2. Fazer autoexame descarta a necessidade da mamografia 

Mito. Perceber alguma alteração palpável não é o único sinal de câncer de mama: a maioria dos casos de câncer de mama não apresenta sintomas, como os nódulos. Por isso, é fundamental que, após os 40 anos, todas as mulheres façam a mamografia anualmente. 

3. Praticar exercícios físicos contribui para prevenção do câncer de mama 

Verdade. Praticar 150 minutos de atividades físicas por semana beneficia a saúde em geral e previne doenças crônicas. Além disso, combate o sedentarismo e a obesidade, fatores que estão relacionados com o desenvolvimento do câncer de mama.  

4. Sutiã apertado pode causar câncer de mama 

Mito. Apesar da crença popular, não há evidências científicas e estudos que embasem essa afirmação.  

5. Há maior risco de câncer de mama em mulheres mais velhas 

Verdade. A idade avançada é um dos fatores de risco para o câncer de mama – o que não significa que ele não possa surgir em pessoas jovens.  

6. Uma pancada nas mamas pode causar câncer de mama 

Mito. Traumas causados por impacto nas mamas podem causar hematomas e nódulos benignos, mas não são capazes de gerar um tumor.    

7. O uso de desodorante pode causar câncer de mama 

Mito. Não existe comprovação científica que correlacione o uso de antitranspirantes com o desenvolvimento de câncer de mama.  

8. Fazer tatuagem pode causar câncer de mama 

Mito. A tatuagem não aumenta o risco de câncer de mama.   

9. A mamografia provoca câncer de tireoide 

Mito. A radiação utilizada na mamografia é direcionada para as mamas e não tem efeito sob a tireoide.  

10. Estou grávida, então, não devo fazer a mamografia 

Verdade. O ideal é evitar a realização de mamografia durante a gestação.  

11. Silicone causa câncer de mama?  

Mito. As próteses são, sim, seguras e não causam câncer. Prova disso é que elas são, inclusive, utilizadas em reconstruções mamárias em pacientes que tiveram câncer de mama.  

Importante: ter as próteses não impede que sejam feitos exames para detecção precoce da doença, como a mamografia. Ou seja, mulheres que tenham silicone devem, sim, realizar seus exames periodicamente.  

12. Em minha família ninguém teve câncer, então eu não tenho risco de ter câncer de mama. 

Mito. O câncer hereditário corresponde a menos de 10% dos casos de câncer de mama. Portanto, todas as pessoas possuem risco de desenvolver a doença ao longo da vida.  

13. A reposição hormonal aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de mama 

Verdade. Quanto maior o tempo de terapia de reposição hormonal, maior o risco desenvolver câncer de mama.

Escrito por
BM

Dra. Bruna Migliavacca Zuchetti

Oncologista
Escrito por
BM

Dra. Bruna Migliavacca Zuchetti

Oncologista