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Oncologia

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Carcinoma e melanoma: entenda a diferença dos tipos de câncer de pele

O câncer de pele representa 27% dos tumores malignos no Brasil.
CD
Dr. Carlos Dzik - Oncologista Atualizado em 08/09/2021

Um dos tipos e câncer mais comuns no Brasil, o câncer de pele, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), representa 27% dos casos de tumores malignos no país. Assim, esse dado revela um número impactante que desperta ainda mais a atenção para o cuidado e a proteção. Isso porque ele é decorrente, principalmente, da exposição excessiva ao sol, por causa da ação dos raios ultravioleta, ou seja, e pode ser prevenido, na maior parte dos casos, com o uso de filtro solar e com o hábito de evitar o sol em horários de maior intensidade – das 10h às 16h. 

O Dr. Carlos Dzik, diretor médico de Oncologia do Hospital Nove de Julho, explica quais são os tipos diferentes da doença e seus principais fatores de risco. Confira! 

Quais tipos de câncer de pele existem?

Existem diversos tipos de câncer de pele.

▪ Melanoma

Pode surgir em qualquer parte do corpo em forma de manchas, pintas ou sinais acompanhados de coceira e descamação e representa 3% das neoplasias malignas da pele. Ele tem origem nos melanócitos, células produtoras de melanina (que dá cor à pele). Em comparação com os outros tipos de câncer de pele, o melanoma é o câncer mais preocupante porque, dependendo de seu tamanho e profundidade, pode se disseminar para as glândulas linfáticas, inicialmente, e, posteriormente, para órgãos distantes. Em geral, o prognóstico é excelente nos casos em que o melanoma é fino, o que significa dizer que ele tem a profundidade menor que 1 milímetro.

“Além disso, a grande maioria dos melanomas é localizada, sem disseminação linfonodal ou visceral a distância. Para os melanomas localizados, em geral, o prognóstico é bom. No entanto, para os casos de melanoma avançado, o que significa dizer melanomas com espessura maior que 1 milímetro ou ainda aqueles com envolvimento de glândulas linfáticas ou disseminação a distância, o prognóstico é ruim. Para esses últimos, há ameaça real à vida dos pacientes", explica o Dr. Carlos Dzik.  

Atualmente, os casos mais graves têm melhores chances de cura com o advento da imunoterapia ou das chamadas drogas-alvo de administração oral. E mesmo nos casos de melanoma localizado e com risco de disseminação, às vezes, são preconizados tratamentos complementares para se evitar ao máximo que esses tumores venham a se disseminar. Em função dessas considerações, todos os casos de melanoma devem ser vistos por médicos oncologistas ou pelos oncodermatologistas.

De acordo com o Dr. Carlos Dzik, “o melanoma mais frequente nasce na pele. Ele tradicionalmente é conhecido como um câncer de pele. No entanto, existem melanomas que podem se desenvolver embaixo da unha (melanoma ungueal), nas extremidades do corpo, como o calcanhar ou as pontas dos dedos (melanoma acral), ou mesmo em mucosas (melanoma de mucosa). Existem também melanomas que já se apresentam como uma doença disseminada no corpo, sem que possa ser identificada sua origem. Todas essas situações representam quadros mais graves de melanoma com chance maior de letalidade e menor arsenal de tratamento".

 

▪ Não melanoma

É o tipo de câncer mais comum no Brasil e, quando diagnosticado e tratado precocemente, apresenta grandes chances de cura. Os sintomas mais comuns são: manchas na pele que ardem, coçam, sangram ou descamam. Esse tipo de tumor de pele se apresenta de diferentes formas; as mais comuns são: carcinoma basocelular (CBC) e carcinoma epidermoide (CEC).

Melanoma benigno e maligno: como diferenciar?

Não há melanoma benigno. Todo melanoma é maligno. E na designação atual apenas se diz melanoma. O grau de malignidade tem a ver com a espessura e o tamanho do melanoma e se ele já tem disseminação para as glândulas linfáticas satélites, como mencionado anteriormente.

Sintomas de melanoma

O melanoma pode aparecer em uma pele normal ou se originar de uma lesão pigmentada. Quando a doença se apresenta na pele normal, dá-se depois do surgimento de uma pinta escura com bordas irregulares seguida de coceira e descamação. Já nos casos de uma lesão pigmentada preexistente, o que acontece é o aumento de tamanho, além de alteração na cor e na forma, que começa a apresentar aspecto irregular nas bordas.

O que é carcinoma e quais são os tipos?

O tipo de câncer não melanoma  se manifesta mais comumente como: carcinoma basocelular (CBC) e carcinoma epidermoide (CEC). Veja as características de cada um deles.

▪ Carcinoma basocelular (CBC) – é o tipo mais comum. Quando detectado e tratado precocemente, exibe baixo índice de letalidade. Ele aparece, principalmente, nas partes da pele mais expostas ao sol como a face, as orelhas, o pescoço, o couro cabeludo, os ombros e as costas, mas também pode surgir em áreas não expostas. Nesse último caso, de forma mais rara.

▪ Carcinoma epidermoide (CEC) – este é segundo tipo mais comum e pode se desenvolver em todas as partes do corpo, mas é mais usual nas regiões expostas ao sol, como as orelhas, o rosto, o couro cabeludo e o pescoço, por exemplo. Apresenta-se mais frequentemente nos homens do que nas mulheres e pode estar associado a cicatrizes na pele, à exposição a agentes químicos ou radiação, ao uso de medicamentos e à antirrejeição de órgãos transplantados.

Sinais de carcinoma

Os sinais do carcinoma de pele ocorrem, sobretudo, nas áreas do corpo mais expostas ao sol: no pescoço, no rosto e nas orelhas, por exemplo. A enfermidade se apresenta da seguinte forma: manchas na pele que ardem, descamam, coçam ou sangram, além de causar feridas que não cicatrizam em até quatro semanas. Em geral, os chamados carcinomas basocelulares se apresentam como pintas claras, às vezes escavadas ou com a aparência de “pérolas", principalmente na face de pessoas idosas. 

Os carcinomas espinocelulares são lesões mais agressivas que podem se apresentar também na face. Ambas as lesões se desenvolvem em áreas que foram expostas ao sol por muito tempo. Por isso, aparecem em pessoas de mais idade. Em geral, essas lesões são pequenas e podem ser curadas apenas com sua retirada cirúrgica. Eventualmente, no entanto, podem ser mais graves se forem maiores ou se forem recorrentes, exigindo, às vezes, tratamentos complementares como quimioterapia ou radioterapia.

Que exames detectam o carcinoma e o melanoma?

O diagnóstico do câncer de pele  é feito por meio de exame clínico realizado por um médico dermatologista. Pode ser efetuado o exame de dermatoscopia, quando se verifica a área que está sob suspeita com um aparelho que permite a visualização das camadas da pele que não podem ser vistas a olho nu. Tais aparelhos são equipados com lupas bem grandes. Há também a possibilidade de indicação de uma biópsia para a confirmação do diagnóstico de câncer de pele. Por meio desses exames, é possível identificar se o tumor é melanoma ou não melanoma e seus tipos.

Segundo o Dr. Carlos Dzik: “O tratamento em geral é cirúrgico para a retirada do câncer. Às vezes, no caso dos melanomas, é necessário que se faça algum tratamento complementar, que poderá ser a utilização de medicações orais ou a imunoterapia na tentativa de reduzir as chances de disseminação da doença. O advento dessas medicações trouxe um grande alento no tratamento dessa doença", explica o médico.

Escrito por
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Dr. Carlos Dzik

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