Infectologia

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Tricomoníase: como se pega? Formas de contágio e prevenção

A tricomoníase se pega principalmente por relação sexual desprotegida. Entenda as formas de contágio, o risco de parceiros assintomáticos e como se prevenir.
H9J
Equipe Hospital Nove de Julho - Corpo Clínico Atualizado em 18/02/2026
Tricomoníase: como se pega

Entenda como ocorre o contágio pela IST não viral mais comum do mundo e por que o tratamento conjunto do casal é indispensável.

Tudo começa com um desconforto que não pode ser ignorado: uma coceira persistente na região genital, um corrimento com cor e cheiro diferentes do habitual ou uma leve ardência ao urinar. Esses sinais podem gerar ansiedade e muitas dúvidas, sendo a principal delas sobre a origem do problema. Se você se identifica com essa situação, é importante entender o que é a tricomoníase e como ela é transmitida.

O que é a tricomoníase?

A tricomoníase é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) muito comum, causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, além de ser a IST não viral mais prevalente em todo o mundo. Ela afeta tanto mulheres quanto homens, embora os sintomas sejam mais frequentes no público feminino.

Este parasita microscópico infecta o trato urogenital. Nas mulheres, a área mais comum de infecção é a vagina, enquanto nos homens, é a uretra (o canal urinário dentro do pênis). A maioria das pessoas infectadas não sabe que tem a doença, o que facilita sua disseminação.

Qual é a principal forma de transmissão da tricomoníase?

A resposta é direta: a tricomoníase é transmitida quase exclusivamente através da relação sexual desprotegida. O contágio ocorre pelo contato íntimo com as secreções genitais de uma pessoa infectada.

Relação sexual desprotegida

Qualquer modalidade de sexo sem o uso de preservativo (camisinha masculina ou feminina) com um parceiro ou parceira que tenha a infecção representa um risco de transmissão. Isso inclui:

  • Sexo vaginal: é a forma mais comum de contágio.
  • Sexo anal: também oferece risco de transmissão do protozoário.
  • Sexo oral: embora menos comum para esta infecção específica, o contágio não é descartado se houver contato com secreções.

O papel do portador assintomático

Um dos maiores desafios no controle da tricomoníase é o fato de que até 70% das pessoas infectadas não apresentam sinais ou sintomas.

Os homens, em particular, costumam ser portadores assintomáticos. Estima-se que cerca de 80% dos homens infectados não manifestem sintomas, o que os torna portadores que podem continuar transmitindo a infecção por meio de relações sexuais. Eles podem carregar o protozoário na uretra ou sob o prepúcio por semanas ou meses sem perceber.

Dessa forma, uma pessoa pode transmitir a infecção aos seus parceiros sexuais sem saber que está infectada. Isso reforça a importância do diálogo aberto sobre a saúde sexual e do uso de preservativos em todas as relações.

É possível pegar tricomoníase de outras formas?

Muitas dúvidas cercam a transmissão da tricomoníase fora do contato sexual. É importante esclarecer que essas formas de contágio são consideradas muito raras e improváveis na prática.

Transmissão por objetos e superfícies

O Trichomonas vaginalis é um parasita sensível que não sobrevive por muito tempo fora do corpo humano, em ambientes secos e frios. Portanto, é extremamente improvável contrair a infecção por meio de:

  • Assentos de vasos sanitários;
  • Piscinas ou banheiras;
  • Toalhas ou roupas íntimas compartilhadas.

A principal via de transmissão continua sendo o contato sexual direto.

Transmissão vertical (mãe para o bebê)

Em casos raros, uma mulher grávida com tricomoníase pode transmitir a infecção para o bebê durante o parto vaginal. Por isso, o acompanhamento pré-natal e o tratamento de qualquer IST durante a gestação são essenciais para a saúde da mãe e da criança.

Quais são os principais fatores de risco?

Algumas condições aumentam a vulnerabilidade de uma pessoa à tricomoníase e a outras ISTs. Os principais fatores de risco incluem:

  • Ter múltiplos parceiros sexuais;
  • Não usar preservativo de forma consistente;
  • Ter um histórico de outras infecções sexualmente transmissíveis.

Além disso, a tricomoníase pode aumentar o risco de contrair ou transmitir outras ISTs, como o HIV, pois a inflamação genital facilita a entrada de outros patógenos no organismo.

Por que é fundamental tratar o parceiro ou a parceria?

O tratamento da tricomoníase é simples e eficaz, geralmente realizado com medicamentos antibióticos prescritos por um médico. Contudo, para garantir a cura e evitar novas infecções, é inegociável que todas as parcerias sexuais sejam tratadas simultaneamente, mesmo que não apresentem sintomas.

A alta taxa de reinfecção e contágio da tricomoníase demonstra a importância crítica de avaliar e tratar todos os parceiros ao mesmo tempo para controlar a infecção. Isso é vital, pois parceiros masculinos podem ser assintomáticos, mas continuam transmitindo a doença.

Se apenas uma pessoa se trata, ela pode ser reinfectada na próxima relação, criando um ciclo conhecido como "efeito pingue-pongue". Tratar todos os envolvidos é a única maneira de quebrar essa corrente de transmissão e garantir a cura definitiva.

Como prevenir a tricomoníase?

A prevenção é a melhor estratégia para cuidar da sua saúde sexual. As medidas são simples e eficazes:

  • Use preservativo: o uso correto e consistente da camisinha (masculina ou feminina) em todas as relações sexuais (vaginal, anal e oral) é o método mais eficaz para prevenir a tricomoníase e outras ISTs.
  • Realize exames de rotina: consulte seu médico regularmente para check-ups de saúde sexual, especialmente se tiver um novo parceiro ou múltiplos parceiros.
  • Mantenha o diálogo: converse abertamente com suas parcerias sobre histórico de ISTs e a importância da prevenção.
  • Cuidar da saúde sexual é um ato de responsabilidade consigo mesmo e com as pessoas com quem você se relaciona. Ao sinal de qualquer sintoma, não hesite em procurar orientação profissional.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

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