
Entenda as opções de tratamento disponíveis, que variam conforme a profundidade da lesão, e por que a rapidez no diagnóstico é fundamental.
Aquela pontada aguda ao tomar um sorvete ou uma manchinha escura que apareceu de repente no espelho são sinais que costumam gerar preocupação. A cárie dentária é uma das condições de saúde bucal mais comuns no mundo, afetando pessoas de todas as idades.
Felizmente, os avanços na odontologia oferecem diversas soluções eficazes, mas o sucesso do tratamento depende diretamente da rapidez com que o problema é identificado e tratado. O tipo de tratamento necessário para a cárie é definido pela profundidade da lesão, e a detecção precoce permite procedimentos menos invasivos, ajudando a evitar intervenções complexas.
O que é a cárie e como ela se desenvolve?
A cárie é a deterioração da estrutura do dente, um processo que ocorre quando as bactérias presentes na boca produzem ácidos que corroem o esmalhe dentário. Esse processo, chamado de desmineralização, acontece de forma gradual e pode ser dividido em estágios, que determinam o tipo de tratamento necessário. A cárie é um processo ativo e dinâmico que destrói o dente, progredindo da desmineralização inicial, manifestada como manchas ou pequenas cavidades, até a perda completa da coroa, muitas vezes causando dor e infecção.
Os estágios da cárie: do esmalte à polpa
O desenvolvimento da cárie segue uma progressão. Conhecer seus estágios ajuda a entender a urgência de uma avaliação profissional.
- Mancha branca: é o primeiro sinal visível. Nesta fase, a lesão ainda é superficial e o processo pode ser revertido com tratamento adequado, sem necessidade de restauração.
- Cárie no esmalte: se a desmineralização continua, forma-se uma cavidade no esmalte, a camada mais externa e dura do dente. O tratamento aqui já envolve a remoção do tecido afetado.
- Cárie na dentina: a lesão avança para a dentina, uma camada mais macia e sensível abaixo do esmalte. A dor e a sensibilidade a alimentos quentes, frios e doces tornam-se mais frequentes.
- Atingimento da polpa: no estágio mais avançado, a cárie alcança a polpa, a parte mais interna do dente que contém nervos e vasos sanguíneos. A dor se torna intensa e constante, indicando a necessidade de um tratamento de canal.
Quais são os principais tratamentos para a cárie dentária?
O plano de tratamento é definido pelo dentista após uma avaliação clínica e, se necessário, radiográfica. A abordagem escolhida corresponde diretamente à profundidade e extensão da lesão.
Tratamento para cáries em estágio inicial
Quando a cárie se apresenta apenas como uma mancha branca, o foco é paralisar o processo de desmineralização e estimular a remineralização do esmalte. Isso geralmente é feito com a aplicação de flúor em alta concentração no consultório, na forma de gel ou verniz, além de orientações para reforçar a higiene bucal em casa.
A detecção de cáries em estágios muito iniciais, muitas vezes por meio da identificação de biomarcadores, é fundamental. Essa abordagem permite que o dentista aplique intervenções rápidas e eficazes, impedindo a progressão da doença para estágios que exijam tratamentos mais invasivos.
Tratamento para cáries que atingiram o esmalte e a dentina (restauração)
A restauração, popularmente conhecida como obturação, é o procedimento mais comum. O dentista utiliza instrumentos específicos para remover todo o tecido dentário comprometido pela cárie. Após a limpeza completa da cavidade, o espaço é preenchido com um material restaurador, como resina composta (da cor do dente) ou amálgama.
O procedimento é realizado com anestesia local para garantir que o paciente não sinta dor durante a remoção do tecido cariado. O objetivo é devolver a forma, a função e a estética do dente, além de impedir a progressão da doença.
Tratamento para cáries profundas que chegaram à polpa (canal)
Quando a infecção atinge a polpa dentária, a dor se torna severa e há risco de formação de abscessos. O tratamento de canal, ou tratamento endodôntico, é a solução para salvar o dente.
Cáries não tratadas podem progredir profundamente, atingindo o canal radicular e levando à formação de abcessos, que demandam tratamentos complexos para evitar a perda do dente.
É importante ressaltar que a cárie não tratada pode permitir que as bactérias se espalhem da boca para a corrente sanguínea e para outras partes do corpo, especialmente se a infecção atingir o canal da raiz ou os tecidos circundantes. Por isso, a rapidez no tratamento é essencial.
- Remover a polpa inflamada ou infeccionada.]
- Limpar e desinfetar o interior dos canais radiculares.
- Preencher e selar os canais com um material biocompatível.
Após o canal, o dente geralmente precisa ser restaurado com um bloco ou uma coroa protética para recuperar sua resistência e função mastigatória.
Tratamento para dentes muito destruídos pela cárie (coroas)
Em casos onde a cárie destruiu uma grande parte da coroa dentária, uma simples restauração pode não ser suficiente para garantir a longevidade do dente. Nesses casos, o dentista pode indicar a instalação de uma coroa. Ela funciona como uma capa que recobre o dente remanescente, protegendo-o de fraturas e restaurando sua aparência e função.
Como o dentista diagnostica a necessidade de cada tratamento?
O diagnóstico preciso é a base para um tratamento eficaz. O cirurgião-dentista utiliza uma combinação de métodos para avaliar a condição de cada dente.
Exame visual e tátil: o profissional inspeciona os dentes em busca de alterações de cor, manchas ou cavidades usando um espelho e um explorador dental.
Em alguns casos, o profissional pode pedir radiografias (raio-x) para visualizar lesões que não são aparentes, como cáries entre os dentes (interproximais) ou abaixo das restaurações recentes, além de avaliar a profundidade da lesão.
É possível prevenir o aparecimento de novas cáries?
Sim, a prevenção é a estratégia mais eficaz e econômica para manter a saúde bucal. Adotar hábitos simples no dia a dia reduz drasticamente o risco de desenvolver cáries.
- Higiene bucal adequada: escove os dentes pelo menos duas vezes ao dia com um creme dental com flúor e use o fio dental diariamente para remover a placa bacteriana entre os dentes e na linha da gengiva.
- Dieta equilibrada: limite o consumo de alimentos e bebidas açucaradas, especialmente entre as refeições.
- Alimentos ricos em açúcar são o principal combustível para as bactérias que causam a cárie.
- Visitas regulares ao dentista: consultas de rotina a cada seis meses ou um ano permitem que o profissional identifique problemas em estágio inicial e realize limpezas profissionais (profilaxia) para remover a placa bacteriana e o tártaro.
Ignorar os primeiros sinais da cárie pode transformar um problema simples em um tratamento complexo e dispendioso. Ao notar qualquer alteração em seus dentes, procure um dentista para uma avaliação completa.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
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