Pediatria

8 minutos de leitura

Sintomas de gripe em criança: saiba como identificar e como agir

Febre alta, prostração e tosse? Saiba identificar os principais sintomas de gripe em crianças, como diferenciar de um resfriado e quando é hora de procurar o médico
ENJ
Equipe Nove de Julho - Equipe Nove de Julho Atualizado em 07/05/2026
sintomas de gripe em criança

Aprenda a diferenciar um quadro gripal de um simples resfriado e reconheça os sinais que indicam a necessidade de avaliação médica

A gripe em crianças costuma ser um daqueles momentos que deixam pais e cuidadores em alerta. Em pouco tempo, o bem-estar da criança muda completamente, com queda de energia, febre e alteração no humor e na rotina do dia a dia. O que pode gerar preocupação por envolver também o risco de evolução para quadros mais intensos.

Um dos sinais mais comuns é a febre alta associada à prostração. O pequeno pode ficar mais quieto, cansado, recusar alimentos e demonstrar pouca disposição até para atividades simples, como brincar ou conversar, o que já indica que o organismo está mais abatido.

Os sintomas respiratórios ajudam bastante na identificação. O nariz costuma ficar bastante congestionado e a maior parte da respiração começa a acontecer pela boca. Por isso há interferência no sono e também na alimentação, já que ela se cansa mais rápido e perde o interesse por comer.

Em alguns casos, é importante observar sinais de alerta. Dificuldade para respirar, respiração acelerada, sonolência excessiva ou recusa persistente de líquidos indicam a necessidade de avaliação médica para garantir um cuidado adequado e evitar complicações.

Sintomas de gripe em crianças e como identificar

A gripe em crianças costuma surgir de forma repentina e provocar uma mudança perceptível no estado geral. Em poucas horas, a criança que estava ativa pode ficar mais abatida, com febre e queda importante de energia.

Entre os sinais mais frequentes estão a febre alta, a tosse e o cansaço intenso, que podem vir acompanhados de irritabilidade e, em alguns casos, dificuldade para respirar. O impacto no organismo costuma ser mais amplo do que em infecções leves, deixando a criança mais debilitada.

Febre alta e início súbito

A febre surge de forma repentina e costuma ultrapassar os 38,5 °C, sendo um dos sinais mais marcantes do processo infeccioso. Ela vem acompanhada de calafrios e mal-estar intenso, atingindo o organismo de uma só vez. Esse início abrupto deixa a criança sensível e exausta, exigindo atenção constante ao conforto e à hidratação.

O aumento súbito da temperatura é o que geralmente diferencia este quadro de infecções mais leves. A observação da evolução térmica nas primeiras horas ajuda a entender como o corpo está reagindo ao vírus. Manter o monitoramento frequente é essencial para garantir que a febre seja controlada adequadamente.

Prostração e dores no corpo

Pode haver também uma queda acentuada de energia, fazendo com que haja perda do interesse por brincadeiras e atividades habituais. O pequeno tende a ficar mais quieto, sonolento e sem disposição para se alimentar ou interagir como de costume.

Esse estado de prostração é um reflexo direto do esforço do organismo para combater a infecção. Além do cansaço, são comuns dores musculares e de cabeça, que geram um desconforto físico generalizado.

Esse quadro faz com que o repouso se torne a necessidade principal durante o dia. Respeitar o tempo de descanso é fundamental para que a recuperação ocorra de forma mais tranquila.

Sintomas respiratórios intensos

A tosse é persistente e geralmente começa de forma seca, podendo evoluir para quadros mais carregados com o passar do tempo. Ela costuma vir acompanhada de dor de garganta e uma congestão nasal que dificulta a respiração fluida.

Com o nariz entupido, a criança passa a respirar pela boca, o que pode ressecar a garganta e dificultar a deglutição. Isso impacta diretamente na qualidade do sono, tornando as noites mais agitadas e cansativas. O alívio da congestão é importante para reduzir esse ciclo de irritação.

Vômitos e diarreia também podem ocorrer?

O vírus da gripe pode atingir o sistema digestivo, desencadeando episódios de vômito e diarreia em algumas crianças. Essa última manifestação é mais comum em pacientes menores e exige cuidado redobrado com a perda de líquidos.

O acompanhamento da frequência desses sinais é importante para evitar complicações maiores. A desidratação é o principal risco nesses casos, pois o corpo perde nutrientes e água de forma acelerada.

Por isso, a oferta de líquidos deve ser constante, mesmo que em pequenas quantidades, para manter o equilíbrio no corpo. Garantir a estabilidade ajuda a preservar o estado geral de saúde da criança.

É gripe ou apenas um resfriado?

A distinção entre a gripe e o resfriado está na intensidade e na velocidade com que os sintomas evoluem, mesmo que sejam causados por vírus respiratórios e possam começar de forma semelhante. A diferença interfere diretamente no estado geral da criança, podendo alterar desde a disposição até a rotina diária.

No resfriado, o quadro é leve e gradual. É comum o surgimento de coriza, espirros e tosse discreta, mas o paciente geralmente mantém a disposição para brincar e se alimentar, sem grandes alterações na rotina. A melhora costuma ocorrer em poucos dias, sem comprometer o estado geral.

Já a gripe manifesta-se de forma súbita e intensa. A febre alta aparece repentinamente, acompanhada de cansaço extremo e dores no corpo, o que deixa a criança visivelmente abatida e sem interesse por suas atividades habituais.

A mudança drástica no comportamento e no nível de energia é o principal sinal de alerta. Em qualquer um dos casos, a observação é fundamental. Se o quadro clínico persistir ou houver qualquer piora, a avaliação de um profissional de saúde é indispensável para fornecer segurança e o conforto da criança.

Quando devo procurar um médico ou o pronto-socorro?

A vigilância dos pais é essencial para identificar sinais de que a gripe pode estar evoluindo para um quadro mais grave. Crianças menores de dois anos apresentam um risco elevado de desenvolver complicações respiratórias sérias, como pneumonia e bronquite, que podem necessitar de hospitalização.

Isso ocorre porque o sistema imunológico delas é ainda imaturo para combater o vírus da gripe de forma eficaz, tornando-as mais vulneráveis a infecções bacterianas secundárias.

Geralmente é bastante importante e recomendado procurar atendimento médico imediato se a criança apresentar:

  • Dificuldade para respirar: observe respiração rápida, ofegante ou afundamento das costelas, sinais de esforço respiratório aumentado
  • Febre alta e persistente: temperatura que não melhora com medidas orientadas ou que dura mais de 72 horas seguidas
  • Sinais de desidratação: boca seca, choro sem lágrimas e pouca urina ao longo do dia; em bebês, moleira afundada
  • Apatia ou sonolência excessiva: dificuldade para acordar ou pouca reação aos estímulos habituais do ambiente
  • Recusa total de líquidos: ausência de ingestão de líquidos por período prolongado, com fraqueza visível e cansaço

Em bebês com menos de três meses, qualquer sinal de febre deve ser comunicado ao pediatra imediatamente.

Como cuidar da criança com gripe em casa?

O ideal é seguir sempre as orientações do pediatra de confiança, pois ele conhece o histórico da criança e sabe indicar o melhor caminho. Quando o quadro é leve e não apresenta sinais de alerta, algumas medidas simples de cuidados em casa podem ajudar muito, tanto para aliviar os sintomas quanto para proporcionar o bem-estar.

Entre os cuidados, podemos destacar alguns pontos para manter o conforto e a segurança durante a recuperação:

  • Hidratação: ofereça líquidos com frequência, como água, sucos naturais e chás, pois a desidratação pode piorar rapidamente o quadro e afetar a recuperação
  • Lavagem nasal: utilize soro fisiológico várias vezes ao dia para limpar o nariz e reduzir a congestão, facilitando a respiração e o sono
  • Repouso: incentive o descanso, já que o corpo precisa de energia para combater a infecção e o repouso ajuda na recuperação
  • Alimentação leve: ofereça alimentos leves e nutritivos em pequenas quantidades, sem forçar a alimentação em caso de falta de apetite
  • Ambiente arejado: mantenha o local limpo e ventilado para melhorar a qualidade do ar e facilitar a respiração
  • Uso de medicamentos: não medique a criança por conta própria, pois o uso inadequado pode mascarar sintomas ou piorar o quadro

Outro ponto importante, não é recomendado medicar a criança por conta própria, pois cada organismo reage de um jeito e o uso incorreto de remédios pode ser perigoso. A administração de qualquer medicamento, inclusive os antitérmicos comuns, deve seguir estritamente a prescrição e a dosagem recomendada pelo pediatra.

Qual a duração esperada da gripe infantil?

Os sintomas de gripe em crianças costumam surgir entre um e quatro dias após o contato com o patógeno. A fase mais intensa do quadro, marcada por febre e mal-estar, geralmente dura entre três e cinco dias, período em que a tendência é ficar mais abatida e com menor disposição.

A maior parte das manifestações clínicas melhora ao longo de cerca de uma semana, mas sinais como tosse e cansaço podem se prolongar por até duas semanas, enquanto o organismo finaliza a recuperação da infecção viral.

Quando há piora após uma melhora inicial ou quando os sintomas se estendem por mais tempo do que o esperado, é importante buscar nova avaliação médica para investigar possíveis complicações, como pneumonia ou otite.

A prevenção é o melhor caminho

A gripe é uma condição que deve ser levada com atenção, já que pode evoluir de maneiras diferentes em cada criança e exige observação dos sinais ao longo do processo. Por isso, a prevenção e o acompanhamento adequado são fundamentais para reduzir riscos e garantir uma evolução mais segura do quadro.

A vacinação anual é uma das formas mais eficazes de reduzir o risco de gripe e de suas complicações, sendo indicada para crianças conforme o calendário de imunização. Essa medida ajuda a diminuir a chance de infecção e pode contribuir para que o quadro, quando ocorre, seja mais leve.

Medidas simples do dia a dia também ajudam na prevenção, como a lavagem frequente das mãos e o uso de álcool em gel quando necessário. Também é importante evitar contato próximo com pessoas com sintomas respiratórios e não frequentar locais fechados ou com grande aglomeração em períodos de maior circulação do microrganismo.

Esses cuidados reduzem a transmissão de diferentes agentes infecciosos. Durante o acompanhamento da saúde infantil, a avaliação com o pediatra é essencial para orientar as famílias de forma segura e adequada em cada fase do quadro. Em instituições de saúde como o Hospital 9 de Julho, esse cuidado pediátrico contribui para uma condução mais precisa e para o acompanhamento correto da evolução dos sintomas.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado

Bibliografia

GIL-DE-MIGUEL, Á. et al. Addressing influenza’s underestimated burden: Iberian experts call to action. [Updated 2023]. In: BMC Infectious Diseases [Internet]. 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s12879-023-08277-x. Acesso em: 4 maio 2026.

GUILLARI, A. et al. Influenza vaccination and healthcare workers: barriers and predisposing factors: a literature review. [Updated 2021]. In: Acta Bio Medica: Atenei Parmensis [Internet]. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.23750/abm.v92iS2.11106. Acesso em: 4 maio 2026.

JIMÉNEZ-JUÁREZ, R. N. et al. Impact of influenza on children in a referral hospital in Mexico City: clinical burden and predictors of mechanical ventilation. [Updated 2025]. In: Viruses [Internet]. 2025. Disponível em: https://doi.org/10.3390/v17060771. Acesso em: 4 maio 2026.

Escrito por
ENJ

Equipe Nove de Julho

Equipe Nove de Julho
Escrito por
ENJ

Equipe Nove de Julho

Equipe Nove de Julho