
Entenda o papel dos testes laboratoriais na investigação da doença e por que eles são um ponto de partida, mas não o diagnóstico final
Aquelas ínguas ou caroços persistentes no pescoço e axilas, acompanhados de suor noturno ou cansaço, costumam gerar preocupação e levam ao consultório médico. Nesses casos, o exame de sangue geralmente é o ponto de partida fundamental.
Ele oferece as primeiras pistas sobre o que está ocorrendo no organismo. O hemograma completo se destaca como o principal recurso para iniciar essa investigação de forma rápida e eficiente. Através dele, o médico consegue identificar qual exame de sangue detecta linfoma de Hodgkin ao observar sinais como anemia ou variações nos glóbulos brancos.
Essas alterações funcionam como um alerta de que o corpo está lutando contra algo mais sério do que uma simples infecção de garganta. Embora o sangue não dê a palavra final, ele é o guia que mostra ao especialista se o caminho deve ser uma investigação oncológica.
Sendo essencial no preparo do terreno para a realização da biópsia. Ele é o alicerce que fornece os dados necessários para que a equipe de saúde saiba exatamente como proceder diante de um linfonodo aumentado.
Enquanto o sangue aponta a direção correta e mostra a reação do corpo, a biópsia do gânglio pode trazer a confirmação definitiva.
O que é o Linfoma de Hodgkin
O Linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer que se origina no sistema linfático, uma parte vital do sistema imunológico. Ele surge quando os linfócitos, que são células de defesa, sofrem mutações e passam a se multiplicar de forma descontrolada.
Essas células doentes podem se acumular nos gânglios, formando ínguas ou massas em diversas regiões do corpo. Uma característica que define essa patologia é a presença de células grandes e anormais conhecidas como Reed-Sternberg.
Diferente de outros linfomas, o de Hodgkin costuma se disseminar de maneira mais ordenada através dos vasos linfáticos. Essa previsibilidade na propagação ajuda muito os médicos no momento de planejar o tratamento e prever o prognóstico.
Sintomas do linfoma de Hodgkin
O linfoma de Hodgkin pode se manifestar de diferentes formas, e os sintomas muitas vezes aparecem de maneira progressiva. Os sinais mais comuns incluem:
- Aumento indolor dos linfonodos, especialmente no pescoço, axilas ou virilha, com surgimento de “ínguas” que não desaparecem com o tempo
- Febre persistente sem causa aparente, que pode surgir de forma recorrente
- Suores noturnos intensos, capazes de molhar roupas e lençóis durante o sono
- Perda de peso inexplicada, sem mudanças na alimentação ou rotina
- Coceira no corpo sem lesões visíveis na pele
- Cansaço intenso e constante, que não melhora mesmo com descanso
Embora seja uma condição séria, apresenta altas taxas de resposta ao tratamento quando diagnosticado precocemente. Abordagens como quimioterapia e radioterapia costumam ter bons resultados, e o acompanhamento especializado é fundamental para conduzir cada etapa do cuidado de forma segura e eficaz.
O hemograma pode detectar o linfoma de Hodgkin
O hemograma completo é frequentemente o primeiro exame de sangue solicitado quando há suspeita de alguma alteração no corpo. Ele funciona como um panorama geral da saúde das nossas células sanguíneas.
No contexto do Linfoma de Hodgkin, ele não mostra as células cancerígenas, mas pode revelar alterações indiretas causadas pela doença.
É fundamental entender que o hemograma, isoladamente, não é um exame diagnóstico. Muitas outras condições, de infecções a doenças inflamatórias, podem causar alterações semelhantes. Ele é uma peça importante do quebra-cabeça investigativo.
As principais alterações que podem levantar suspeitas são:
- Anemia: uma contagem reduzida de glóbulos vermelhos, que pode causar cansaço e palidez
- Leucocitose: um aumento no número de glóbulos brancos, especialmente os neutrófilos e eosinófilos
- Linfopenia: em alguns casos, pode ocorrer uma diminuição dos linfócitos, um tipo de glóbulo branco
- Trombocitose:um aumento no número de plaquetas, as células responsáveis pela coagulação.
Quando as alterações no hemograma, como as dos glóbulos brancos e a anemia, se somam a sintomas como febre e perda de peso, o profissional de saúde tende a considerar a necessidade de investigar o linfoma mais a fundo.
Quais outros exames de sangue o médico pode solicitar
O médico pode pedir outros exames de sangue para entender melhor o que está acontecendo no organismo. Os testes ajudam a identificar sinais de inflamação, verificar o funcionamento dos órgãos e observar se a doença está afetando outras partes do corpo.
Um dos procedimentos solicitados é a Velocidade de Hemossedimentação (VHS), que avalia a rapidez com que os glóbulos vermelhos (hemácias) se depositam no fundo de um tubo de ensaio. Quando esse processo acontece mais rápido do que o normal, pode ser um sinal de que existe inflamação no corpo.
Em algumas situações, esse exame pode ajudar o médico a suspeitar de doenças como o Linfoma de Hodgkin mesmo antes de surgirem sintomas mais claros.
Outro exame comum é a Lactato Desidrogenase (LDH), uma substância produzida por várias células do corpo. LDH é a sigla em inglês de Lactate Dehydrogenase. Quando o nível dessa enzima está alta, pode indicar que há destruição ou sofrimento celular.
Por isso, esse exame também pode ajudar a acompanhar a evolução da doença e a entender sua atividade. Também podem ser pedidos exames para avaliar o funcionamento do fígado e dos rins, como TGO (Transaminase Glutâmico-Oxalacética), também chamado de AST ( Aspartato Aminotransferase).
O TGP (Transaminase Glutâmico-Pirúvica),conhecido também por ALT (Alanina Aminotransferase), a medição dos níveis de ureia e creatinina podem fazer parte do rol de solicitações médicas.
Esses exames mostram se esses órgãos estão trabalhando corretamente. O que é muito importante antes de iniciar tratamentos, já que eles são responsáveis por filtrar e eliminar substâncias do corpo.
Outro grupo de exames que pode ser solicitado são as sorologias virais, que investigam se a pessoa teve contato com certos vírus. Entre eles estão o Epstein-Barr (EBV) e o HIV (vírus da imunodeficiência humana).
Isso porque algumas infecções virais podem estar associadas a um risco maior de desenvolvimento de linfomas, e entender esse histórico ajuda na investigação médica.
Como é a jornada do diagnóstico
Entender como acontece o diagnóstico pode trazer mais tranquilidade para pacientes e cuidadores. Esse processo pode levar algum tempo, mas é feito de forma organizada para garantir mais precisão e segurança em cada etapa.
O primeiro passo é a consulta médica e o exame físico. Nessa fase, o médico deve conversar sobre os sintomas, o histórico de saúde e realizar o exame clínico. Ele também costuma apalpar regiões do corpo, especialmente os linfonodos (ínguas), para verificar se há aumento ou alterações.
Podem ser solicitados exames de sangue, como o hemograma completo e outros testes laboratoriais. Esses exames ajudam a avaliar o estado geral de saúde e podem indicar sinais indiretos de inflamação ou alterações no organismo.
Se ainda houver suspeita após as primeiras avaliações, o médico pode solicitar exames de imagem, como radiografia, tomografia computadorizada ou PET-CT (Tomografia por Emissão de Pósitrons).
Esses exames permitem observar o interior do corpo e verificar se há linfonodos aumentados ou se a doença está presente em outras regiões.
Por que a biópsia é essencial para confirmar o diagnóstico
A biópsia é realizada após os sintomas e os outros testes já levantaram suspeitas. É possível confirmar com precisão o diagnóstico. Ela costuma ser indicada quando há alterações persistentes nos linfonodos ou quando os exames anteriores não conseguem explicar completamente o quadro clínico.
O procedimento consiste na retirada de um fragmento suspeito ou, em muitos casos, da remoção completa do gânglio. O material é enviado para análise em laboratório, onde um médico patologista avalia o tecido ao microscópio.
Durante a análise, o especialista procura uma célula específica chamada célula de Reed-Sternberg, que é característica do Linfoma de Hodgkin. A sua presença no tecido é o que confirma o diagnóstico da doença com segurança.
Nesse processo, o acompanhamento especializado tem papel central para orientar cada etapa com cuidado e precisão. Em instituições como o Hospital 9 de Julho, essa assistência contribui para uma condução mais organizada e segura da investigação do paciente. Integrando as peças desse quebra-cabeça com atenção, responsabilidade e perspectiva de bons desfechos ao longo do cuidado.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado
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