Cardiologia

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Insuficiência venosa pode matar? Entenda a relação com a trombose e a embolia pulmonar

Veja a relação entre ambos quadros e como eles são tratados
ENJ
Equipe Nove de Julho - Equipe Nove de Julho Atualizado em 20/03/2026
insuficiência venosa pode matar

A insuficiência venosa crônica não é fatal por si só, mas pode evoluir para complicações graves quando não tratada. Sintomas como cansaço nas pernas, inchaço e sensação de peso podem indicar um problema vascular que exige atenção.

O maior risco está na formação de coágulos, que podem levar à trombose venosa profunda e, em casos mais graves, à embolia pulmonar. O diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado são essenciais para prevenir complicações e proteger a saúde.

O que é a insuficiência venosa crônica?

A insuficiência venosa crônica é uma condição na qual as veias das pernas têm dificuldade para enviar o sangue de volta ao coração. Isso ocorre por um mau funcionamento das válvulas venosas, que deveriam impedir o refluxo do sangue. Com as válvulas danificadas, o sangue se acumula nos membros inferiores, aumentando a pressão dentro das veias.

Esse processo, conhecido como estase venosa, é o que desencadeia a maioria dos sintomas e possíveis complicações da doença. Afeta uma parcela significativa da população, com prevalência que aumenta com a idade.

Quais são os principais sinais e sintomas?

Os sintomas da insuficiência venosa tendem a piorar ao longo do dia, especialmente após longos períodos em pé ou sentado, e podem incluir:

  • Dor, queimação ou sensação de peso nas pernas;

  • Inchaço (edema) nos tornozelos e pés;

  • Cãibras noturnas;

  • Coceira e formigamento;

  • Surgimento de varizes (veias dilatadas e tortuosas);

  • Alterações na pele, como escurecimento (dermatite ocre), ressecamento e eczema;

Em fases avançadas, o surgimento de feridas que não cicatrizam (úlceras venosas).

Reconhecer esses sinais é o primeiro passo para buscar avaliação médica e evitar a progressão da doença.

A insuficiência venosa pode matar?

A resposta direta é que a insuficiência venosa em si não costuma ser a causa direta da morte. O verdadeiro perigo reside nas suas complicações graves, que podem, sim, ser fatais se não forem tratadas a tempo.

A relação direta com a trombose venosa profunda (TVP)

A estase venosa (sangue parado) causada pela IVC é um dos principais fatores de risco para a formação de coágulos sanguíneos nas veias profundas da perna, uma condição chamada trombose venosa profunda. A TVP manifesta-se com dor súbita, inchaço unilateral, vermelhidão e calor na perna afetada.

O risco de embolia pulmonar (EP)

O maior risco da TVP é quando um fragmento do coágulo se solta, viaja pela corrente sanguínea e chega aos pulmões, bloqueando uma artéria pulmonar. Este evento, chamado de embolia pulmonar, é uma emergência médica gravíssima. Os sintomas incluem falta de ar súbita, dor no peito e tosse, podendo levar à morte em minutos se o bloqueio for maciço.

A insuficiência venosa, quando complicada por tromboses negligenciadas, pode evoluir para uma embolia pulmonar fatal. Nesses casos, intervenções tecnológicas de alta complexidade são essenciais para restaurar o fluxo sanguíneo e garantir a segurança e longevidade do paciente.

Outras complicações graves

Além da TVP e da EP, a IVC avançada pode levar a outras condições sérias. As úlceras venosas, que são feridas abertas geralmente perto do tornozelo, podem servir como porta de entrada para bactérias, causando infecções de pele (celulite, erisipela) ou até mesmo infecções sistêmicas (sepse), que também apresentam risco de vida.

As complicações da insuficiência venosa podem até causar a formação de ossos sob a pele, em um quadro conhecido como doença de Heinz-Lippman. Essa condição eleva o risco de infecções graves e potencialmente fatais, como a osteomielite.

Além disso, obstruções silenciosas nas veias que drenam o cérebro podem elevar a pressão intracraniana. Essa pressão aumentada pode causar lesões cerebrais graves, reforçando o perigo de negligenciar as diversas complicações vasculares.

Pesquisas também sugerem que a inflamação crônica associada à doença venosa pode aumentar o risco de eventos cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Como é feito o diagnóstico e a classificação da doença?

O diagnóstico da insuficiência venosa é feito por um médico angiologista ou cirurgião vascular, com base no histórico clínico e nos sintomas do paciente. O principal exame é o Eco Doppler colorido venoso, um ultrassom que avalia o fluxo sanguíneo e o funcionamento das válvulas das veias.

Como a doença pode evoluir de forma silenciosa, exames precisos são essenciais para identificar alterações precocemente e evitar complicações.

Classificação da insuficiência venosa (CEAP)

A gravidade da doença é definida pela classificação internacional CEAP, que considera critérios clínicos, etiológicos, anatômicos e fisiopatológicos.

Na classificação clínica (C), os estágios são:

  • C0: sem sinais visíveis ou palpáveis

  • C1: presença de vasinhos ou veias reticulares

  • C2: presença de varizes

  • C3: inchaço (edema) nas pernas

  • C4: alterações na pele (escurecimento, eczema, endurecimento)

  • C5: úlcera cicatrizada

  • C6: úlcera ativa

Identificar o estágio da insuficiência venosa é fundamental para indicar o tratamento mais adequado e evitar a progressão da doença.

Quais são as opções de tratamento disponíveis?

O tratamento da insuficiência venosa visa aliviar os sintomas, melhorar a aparência e, principalmente, prevenir complicações. As abordagens variam conforme a gravidade do quadro e podem incluir:

  • Mudanças no estilo de vida: controle do peso, prática de atividade física regular (como caminhada) e elevação das pernas.

  • Terapia de compressão: uso de meias elásticas de compressão graduada, que ajudam a direcionar o fluxo sanguíneo para cima.

  • Medicamentos: uso de flebotônicos, que melhoram o tônus das veias e a circulação.

  • Procedimentos minimamente invasivos: incluem a escleroterapia (aplicação de substâncias para secar os vasos) e o laser transdérmico.

  • Tratamentos cirúrgicos: em casos mais avançados, podem ser indicadas cirurgias para remoção das veias doentes (flebectomia) ou técnicas modernas como a termoablação com endolaser ou radiofrequência, realizadas em centros de referência.

A escolha do tratamento deve ser individualizada e discutida com um especialista vascular, que poderá indicar a melhor opção para cada caso, garantindo segurança e eficácia.

As informações aqui apresentadas não substituem avaliação médica. Em caso de dúvidas, consulte um especialista.

Bibliografia

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