Clínica Médica

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Doença de Kawasaki em adultos: o que é, como identificar e quando investigar

Condição rara em adultos, a doença de Kawasaki pode afetar vasos sanguíneos e o coração. Entenda como identificar, investigar e conduzir o quadro.
H9J
Equipe Hospital Nove de Julho - Corpo Clínico Atualizado em 15/04/2026
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Condição inflamatória rara na vida adulta pode evoluir de forma silenciosa e afetar o coração, exigindo atenção a sinais persistentes.

A condição em adultos é incomum e pode passar despercebida, o que ocorre com maior frequência quando os sinais aparecem de forma atípica ou incompleta.

O quadro pode ter evolução progressiva e, em alguns casos, só é identificado quando já há repercussões cardiovasculares, o que reforça a importância da investigação precoce.

O que é a doença de Kawasaki

A doença de Kawasaki é uma vasculite sistêmica, ou seja, uma inflamação que atinge vasos sanguíneos de diferentes partes do corpo.

Conforme publicado no Texas Heart Institute Journal, essa inflamação pode afetar artérias de médio calibre, incluindo as coronárias, responsáveis por irrigar o coração.

Mesmo sendo rara na vida adulta, a condição pode ocorrer de duas formas:

  • Persistência de alterações iniciadas na infância
  • Manifestação tardia ou diagnóstico não reconhecido anteriormente

Essa característica torna o quadro mais desafiador, já que nem sempre há histórico claro da doença.

Principais sinais e manifestações clínicas

Em adultos, os sinais podem variar, mas geralmente seguem um padrão semelhante ao observado na forma clássica da doença.

Os principais sintomas incluem:

  • Febre persistente
  • Vermelhidão nos olhos sem secreção
  • Alterações na mucosa oral, como lábios ressecados
  • Manchas na pele
  • Inchaço nas extremidades
  • Aumento de linfonodos

Em adultos, esses sinais podem aparecer de forma incompleta, o que pode dificultar o reconhecimento imediato.

Como o quadro evolui ao longo do tempo

A doença costuma apresentar uma fase inicial inflamatória que pode durar cerca de uma a duas semanas. Essa fase pode ser seguida por um período de recuperação, no qual alguns sinais diminuem.

Mas, mesmo após a melhora dos sintomas visíveis, podem permanecer alterações nos vasos sanguíneos, principalmente nas artérias coronárias.

Possíveis causas e fatores envolvidos.

A causa exata da doença de Kawasaki ainda não foi totalmente definida. Segundo a médica e pesquisadora Anne H. Rowley (2011), a principal hipótese é que a doença seja desencadeada por um agente infeccioso comum, capaz de provocar uma resposta inflamatória em indivíduos geneticamente predispostos.

De acordo com a autora, diversos fatores estão associados ao desenvolvimento da doença:

  • Fator infeccioso: as características clínicas e epidemiológicas da doença, como febre autolimitada, ocorrência em surtos e padrão sazonal, são consistentes com uma possível origem infecciosa, embora nenhum agente específico tenha sido identificado de forma conclusiva.
  • Predisposição genética: observa-se maior incidência da doença em populações asiáticas, especialmente japonesas, além de maior risco entre familiares de indivíduos afetados, indicando influência genética na suscetibilidade.
  • Resposta imunológica: há ativação tanto da resposta imune inata quanto adaptativa, sugerindo que o organismo reage a um agente infeccioso ainda não identificado.

Assim, a doença de Kawasaki é compreendida como resultado da interação entre fatores infecciosos e predisposição genética, sem a definição de uma causa única.

Como é feito o diagnóstico em adultos

O diagnóstico da doença de Kawasaki é clínico, baseado na análise do conjunto de sinais e da evolução do quadro.

Entre os exames que podem auxiliar estão:

  • Exames de sangue para detectar inflamação
  • Ecocardiograma para avaliar o coração
  • Exames de imagem das artérias coronárias

A investigação cardiovascular é especialmente importante em adultos, já que o risco de complicações pode ser maior quando o diagnóstico é tardio.

Possíveis complicações cardiovasculares

A principal preocupação na doença de Kawasaki em adultos envolve alteração no sistema cardiovascular, que podem:

  • Comprometer o fluxo sanguíneo
  • Aumentar o risco de trombose
  • Elevar o risco de infarto

Em alguns casos, o paciente pode não apresentar sintomas cardíacos iniciais, o que reforça a necessidade de acompanhamento médico.

O que é feito nos casos mais graves

Quando há comprometimento das artérias coronárias, a conduta médica pode incluir:

  • Uso de medicamentos anticoagulantes
  • Monitoramento cardíaco contínuo
  • Exames de imagem seriados
  • Procedimentos como revascularização em casos mais avançados

Intervenções precoces ajudam a reduzir o risco de complicações mais graves ao longo do tempo.

Quando procurar avaliação médica

É recomendável buscar atendimento médico sempre que houver febre persistente sem causa definida, especialmente quando acompanhada de sinais inflamatórios ou alterações que fogem do padrão habitual.

Fique atento a manifestações como:

  • Alterações na pele, como manchas ou descamação
  • Olhos vermelhos sem secreção aparente
  • Mudanças na boca, incluindo lábios ressecados ou língua avermelhada
  • Sintomas prolongados ou que evoluem ao longo dos dias sem melhora

O cuidado em adultos deve ser maior, uma vez que o quadro não costuma ser facilmente diagnosticado. Em alguns casos, a doença de Kawasaki em adultos pode estar associada ao comprometimento das artérias do coração, exigindo uma avaliação médica mais criteriosa. Caso seja necessário, o médico pode sugerir investigações complementares.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia ROZO, Juan Carlos et al. Kawasaki disease in the adult: a case report and review of the literature. Texas Heart Institute Journal, Houston, 2004. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC427377/. Acesso em: 27 mar. 2026.

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ROWLEY, Anne H. Kawasaki disease: novel insights into etiology and genetic susceptibility. Annual Review of Medicine, v. 62, p. 69–77, 2011. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3021097/. Acesso em: 30 mar. 2026.

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