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Equipe Hospital Nove de Julho - Equipe Hospital Nove de Julho Atualizado em 10/06/2026

Ginecologia

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Como saber se tenho SOP: guia completo sobre sintomas e diagnóstico

Entenda os principais sintomas da Síndrome dos Ovários Policísticos, como menstruação irregular e acne, e saiba como é feito o diagnóstico.

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A menstruação atrasou de novo e, ao se olhar no espelho, você percebe mais acne e pelos onde não deveriam estar? Entenda o motivo.

Você nota que seu ciclo menstrual se tornou imprevisível. Às vezes, ele simplesmente não vem por meses, e quando vem, é irregular. Sua pele parece mais oleosa, a acne se tornou mais frequente e pelos mais grossos começaram a surgir em áreas como o queixo e o abdômen? Se essa descrição soa familiar, pode ser a hora de investigar a Síndrome dos Ovários Policísticos, ou SOP.

Este é um dos distúrbios hormonais mais comuns, e, de acordo com o Ministério da Saúde, ocorre principalmente em mulheres com idade entre 30 e 40 anos. Entender seus sinais é o primeiro passo para buscar ajuda qualificada e obter um diagnóstico preciso.

O que é a síndrome dos ovários policísticos?

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma condição endócrino-metabólica complexa. Ela é caracterizada por um desequilíbrio nos hormônios que regulam o ciclo menstrual, levando a uma produção aumentada de hormônios masculinos (andrógenos) pelos ovários.

Apesar do nome, a presença de múltiplos cistos nos ovários é apenas um dos possíveis sinais, e não é obrigatória para o diagnóstico. O problema central está na disfunção hormonal, que interfere na ovulação e pode causar uma série de manifestações clínicas e metabólicas.

Quando devo desconfiar que tenho SOP?

A suspeita de SOP geralmente surge a partir da observação de um conjunto de sinais e sintomas. O corpo dá pistas de que algo no equilíbrio hormonal não vai bem. Ao notar sinais como menstruação irregular, dificuldade para engravidar, ou excesso de hormônios masculinos, é fundamental buscar avaliação médica. A resistência à insulina também pode estar presente.

Fique atenta a pelo menos duas das três características principais abaixo.

Ciclos menstruais irregulares ou ausentes

Este é o sintoma mais comum e, muitas vezes, o primeiro a ser notado. A irregularidade pode se manifestar de várias formas:

  • Oligomenorreia: ciclos com intervalo maior que 35 dias.
  • Amenorreia: ausência de menstruação por três ou mais ciclos consecutivos.
  • Ciclos imprevisíveis: períodos que vêm em intervalos muito variáveis.

Essa irregularidade ocorre porque a ovulação não acontece de forma regular ou, em alguns casos, nem acontece (anovulação).

Sinais de excesso de hormônios masculinos (hiperandrogenismo)

O aumento dos níveis de andrógenos no corpo da mulher pode causar alterações físicas notáveis, que são sinais clássicos da SOP. Entre eles estão:

  • Hirsutismo: crescimento de pelos grossos e escuros em locais tipicamente masculinos, como rosto (queixo, buço), tórax, costas e abdômen.
  • Acne adulta: surgimento ou piora de cravos e espinhas, especialmente na região da mandíbula, queixo e pescoço.
  • Pele oleosa: aumento da produção de sebo pela pele e couro cabeludo.
  • Alopecia androgenética: queda de cabelo com padrão masculino, geralmente com afinamento dos fios no topo da cabeça.

Outros sintomas associados

Além dos sinais clássicos, mulheres com SOP podem apresentar outras características, muitas vezes ligadas a alterações metabólicas, como a resistência à insulina.

  • Ganho de peso: dificuldade em perder peso, com acúmulo de gordura principalmente na região abdominal.
  • Acantose nigricans: manchas escuras e aveludadas em áreas de dobras, como pescoço, axilas e virilha, um sinal frequentemente associado à resistência à insulina.
  • Alterações de humor: algumas mulheres relatam maior ansiedade ou tendência à depressão.

Como o diagnóstico de SOP é confirmado?

O diagnóstico da SOP não depende de um único exame. Ele é feito por um médico, geralmente um ginecologista, com base em critérios internacionais bem estabelecidos e na exclusão de outras condições que possam causar sintomas semelhantes.

Os critérios de Rotterdam: a base do diagnóstico

Atualmente, o método mais utilizado para diagnosticar a SOP é o Consenso de Rotterdam. Para confirmar a condição, a paciente precisa apresentar pelo menos dois dos três critérios principais. Esses critérios incluem a menstruação irregular, níveis elevados de hormônios masculinos ou ovários com múltiplos cistos detectados por ultrassom.

O diagnóstico também leva em conta a ovulação irregular, a presença de sinais clínicos de excesso de hormônios masculinos e alterações nos ovários identificadas no ultrassom.

É fundamental entender que uma mulher pode ter ovários com aspecto policístico no ultrassom e não ter a síndrome, assim como pode ter a síndrome sem apresentar essa característica no exame de imagem.

O passo a passo da avaliação médica

Se você suspeita de SOP, o médico seguirá um protocolo para investigar seu caso. O processo geralmente inclui:

  1. Anamnese: uma conversa detalhada sobre seu histórico menstrual, sintomas, histórico de saúde familiar e estilo de vida.

  2. Exame físico: o médico avaliará sinais como excesso de pelos, acne, queda de cabelo, manchas na pele e irá medir sua pressão arterial e índice de massa corporal (IMC).

  3. Exames de sangue: são solicitadas dosagens hormonais para verificar os níveis de testosterona, outros andrógenos, hormônios da tireoide, prolactina e hormônios que regulam a ovulação (LH e FSH). Também são comuns exames para avaliar glicemia e insulina.

  4. Ultrassonografia: o ultrassom pélvico ou transvaginal é usado para avaliar a aparência e o tamanho dos ovários, além de verificar a presença de múltiplos folículos.

Existem diferentes tipos de SOP?

Com base nos Critérios de Rotterdam, é possível classificar a SOP em diferentes fenótipos, dependendo de quais dos três critérios a paciente apresenta. Isso ajuda a entender a variedade de manifestações da síndrome.

Por exemplo, uma mulher pode ter ciclos irregulares e sinais de hiperandrogenismo, mas ovários normais ao ultrassom. Outra pode ter ovários policísticos e ciclos irregulares, mas sem sinais de excesso de hormônios masculinos. Essa diferenciação pode influenciar a abordagem terapêutica.

É possível confundir SOP com outras condições?

Sim, e por isso a avaliação médica é crucial. Várias outras condições podem causar sintomas parecidos com os da SOP, como irregularidade menstrual ou excesso de pelos. Parte do processo diagnóstico consiste em descartar outras possibilidades, como:

  • Disfunções da tireoide (hipotireoidismo ou hipertireoidismo).
  • Hiperprolactinemia (aumento do hormônio prolactina).
  • Hiperplasia adrenal congênita (forma não clássica).
  • Outras causas de excesso de андrogênio, como tumores.

Qual profissional devo procurar?

Ao notar os sintomas descritos, o primeiro passo é agendar uma consulta com um ginecologista. É crucial procurar um médico se você perceber ciclos menstruais irregulares, ausência de ovulação ou outros sinais de excesso de hormônios masculinos, como aumento de pelos e acne. Este especialista é o mais preparado para conduzir a investigação inicial, solicitar os exames corretos e confirmar ou descartar o diagnóstico de SOP.

Em alguns casos, pode ser necessário o acompanhamento conjunto com um endocrinologista, principalmente para manejar as alterações metabólicas associadas, como a resistência à insulina e o sobrepeso. A investigação correta é o caminho para um tratamento eficaz e para a melhoria da sua qualidade de vida.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

SANTOS, A. S. et al. Síndrome dos ovários policísticos: impactos clínicos, metabólicos e reprodutivos. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences (BJIHS), 2024. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/5181. Acesso em: 03 jun. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Síndrome dos ovários policísticos. Biblioteca Virtual em Saúde. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/sindrome-dos-ovarios-policisticos/. Acesso em: 03 jun. 2026.

ESER, A. et al. Investigation of frequency in patients with polycystic ovary syndrome. Anais Brasileiros de Dermatologia, [S. l.], 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abd/a/JN9ZQcTtGzDqmz8K3Fgxm6v/?lang=en. Acesso em: 03 jun. 2026.

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