Nem sempre é possível identificar de primeira que um bebê tem um problema auditivo. Com o tempo, os pais desconfiam da falta de reação a alguns estímulos, da dificuldade de concentração, mas é preciso procurar um médico para que outras doenças sejam descartadas.

Como o bebê ainda não se comunica como um adulto, exames que não dependem de interação são os mais indicados. É o caso do Potencial Evocado Auditivo, também conhecido como Audiometria de Tronco Cerebral (Bera), que não é invasivo e deve ser realizado quando o bebê estiver dormindo para evitar interferências na captação das informações.

O exame avalia se há perda auditiva, qual o grau e a região afetada. O mecanismo é semelhante ao de um eletroencefalograma: são colocados eletrodos na testa e na região atrás da orelha e, por meio de um fone de ouvido, o paciente recebe estímulos sonoros que, em uma pessoa normal, são convertidos em uma corrente elétrica que leva a informação para ser processada no cérebro. A resposta elétrica é captada pelos eletrodos e o médico avalia se há alguma irregularidade.

O Potencial Evocado Auditivo também é útil para adultos na confirmação diagnóstica de zumbidos, na investigação de problemas no troncoencefálico ou no nervo auditivo, monitoramento de pacientes em Unidade de Terapia Intensiva com quadro de coma, inclusive com apoio ao diagnóstico de morte encefálica.

Este exame também pode ser direcionado para a avaliação visual, como nos casos de esclerose múltipla, e para investigação de causas de dormência e se há comprometimento medular, quando há necessidade de uma análise mais aprofundada de possíveis lesões na medula, as mielopatias. “É importante saber que a investigação diagnóstica nestes casos pode ir além de uma ressonância magnética, por exemplo, com exames que não exigem preparo e não são invasivos, mas a indicação é feita pelo médico”, lembra o Dr. Cleber Dal Alba, neurofisiologista responsável pelos exames no Hospital 9 de Julho.