Muita gente não sabe, mas um dos grupos de mulheres diagnosticadas com câncer de ovário pode estar mais propenso a também desenvolver câncer de mama e vice e versa. Essa relação existe quando há alterações genéticas - que podem ocorrer no gene BRCA -, associando estas doenças a pacientes jovens, tumores bilaterais, câncer de mama em homens, câncer de pâncreas, entre outros, ao histórico familiar.

Riscos e prevenção

Suspeitam-se destas alterações, responsáveis por 10 a 15% dos tumores de mama e de ovário, quando o câncer acontece em mulheres jovens, abaixo dos 40 anos, e quando ocorre em outros parentes próximos. Não existe meio de prevenção adequado para este tipo risco e exames de Ressonância Magnética das mamas podem ajudar no diagnóstico precoce.

Em determinados casos, medicamentos podem diminuir o risco da doença, mas a melhor forma atualmente aceita são as cirurgias redutoras de risco (ou profiláticas) com a retirada de mama, trompas e ovários, no caso de mulheres que já tiveram filhos.

A cirurgia ainda é, sem dúvida, a melhor forma de evitar o câncer em casos de muito risco.

A diminuição do risco de desenvolvimento de câncer é muito significativa, cai de 87% para menos de 10% na mama, e de 50% para 5% no de ovário, durante vida da paciente.

Investigação multidisciplinar

Em casos de suspeita de alteração genética é importante que a paciente seja avaliada por uma equipe multidisciplinar (médico, psicólogo e geneticista) que saibam orientá-la e a seus familiares para investigação ou não da alteração genética. A partir dessa informação, podemos ampliar a investigação para outros familiares.

O câncer de ovário é silencioso e, em muitos casos, não é diagnosticado precocemente. A mutação genética para predisposição ao câncer é investigada nos familiares e pacientes que foram previamente orientados e estão seguros quanto ao resultado e suas opções de condutas. A cirurgia ainda é, sem dúvida, a melhor forma de evitar o câncer em casos de muito risco.