Talvez você nunca tenha ouvido falar sobre psoríase, mas essa condição afeta 2,5 milhões de brasileiros e cerca de 2% da população mundial. Essa é uma doença crônica da pele, causada por um sistema imunológico hiperativo, isto é, capaz de provocar a multiplicação das células da pele em até 10 vezes mais rápido do que o normal. Esse fato resulta no surgimento de diversas manchas vermelhas e espessas, que podem se manifestar em qualquer lugar do corpo.

Outros sintomas incluem descamação e inflamação da pele ou manchas brancas ou acinzentadas, que podem coçar, ser dolorosas e até promover sensação de queimação. A maioria das pessoas com psoríase passa por "ciclos" de sintomas, afinal, a doença é capaz de causar sintomas graves por alguns dias ou semanas e, em seguida, eles podem ser quase imperceptíveis ou, ainda, desaparecer completamente.

"Embora qualquer pessoa esteja sujeita à ocorrência da psoríase, aqueles que têm parentes portadores da doença apresentam maiores chances de desenvolvê-la", pontua a Dra. Caroline Semerdjian Cividanes, dermatologista do Hospital 9 de Julho.

Por que essa doença acontece?

A causa exata da psoríase ainda não foi comprovada cientificamente, mas especialistas acreditam que seja uma combinação de fatores, como, por exemplo, algo de errado com o sistema imunológico, que resulta em uma inflamação, fazendo com que novas células da pele se formem muito rapidamente.

A psoríase não é contagiosa, isto é, não pode ser transmitida de pessoa para pessoa. No entanto, a tendência é ocorrer repetidamente em famílias, acometendo várias gerações. Ter um dos pais com psoríase aumenta consideravelmente o risco de contrair a doença. Ah, e vale destacar que ela não tem relação com o desenvolvimento de nenhum tipo de câncer.

Como tratar a psoríase?

É importante ressaltar que essa doença não tem cura, mas diversos cuidados podem melhorar os sintomas e driblar o aparecimento das manchas de pele. "O uso de medicamentos biológicos tem possibilitado a esses pacientes mais qualidade de vida no dia a dia, trazendo-os para a 'normalidade', e apresentando poucos efeitos colaterais", comenta a Dra. Caroline Semerdjian.

O paciente pode recorrer aos tratamentos tópicos, ou seja, cremes e pomadas aplicados diretamente na pele – indicados para casos leves ou moderados. São exemplos compostos com ácido salicílico, corticosteroides tópicos e hidratantes específicos.

Outra opção, para aqueles que apresentam psoríase moderada a grave, ou que não responderam bem a outros tipos de tratamento, é buscar a avaliação de um médico especializado para considerar a utilização de medicamentos orais ou injetáveis. Esses remédios incluem: metotrexato, ciclosporina e retinoides.

Por fim, mas não menos importante, há ainda a possibilidade de se submeter à fototerapia, isto é, um tratamento para psoríase que usa luz ultravioleta (UV) diretamente na pele, uma vez que ela é capaz de matar os glóbulos brancos hiperativos que estão atacando as células saudáveis da pele e causando o rápido crescimento celular. Tanto a luz UVA quanto a UVB podem ser úteis nesses casos.

Geralmente, os especialistas recomendam começar com os tratamentos mais suaves e então progredir para os mais fortes apenas se necessário. "Além da importância desses tratamentos para frear o decorrer da doença, são também extremamente valiosos quando consideramos a chance de evitar um acometimento psicológico desses pacientes, causado pelo preconceito de terceiros, que desconhecem a doença. Em muitos casos, vejo que tais pessoas acabam optando pelo uso de roupas que cubram as lesões, como mangas longas e calças, mesmo no verão, ou ainda, evitam situações sociais nas quais pode haver possibilidade de expor as áreas com lesões. Nesse contexto, toda ajuda para despistar os sintomas na pele é válida!", reforça a dermatologista

"A equipe de dermatologia do Hospital 9 de Julho tem vasta experiência em tratamentos para psoríase cutânea, o que possibilita a utilização dos tratamentos mais atuais desse segmento. No caso da psoríase articular, atuamos em conjunto com a reumatologia, em busca de resultados mais precisos e de excelência", afirma a médica.

Sobre viver com qualidade

A especialista do H9J explica que a qualidade de vida desses pacientes irá depender da extensão da doença e se há ou não acometimento das articulações. "No primeiro caso, as lesões podem afetar a autoestima e prejudicar a vida social do paciente, causando até mesmo danos psicológicos. No segundo caso, pode afetar o bem-estar do mesmo, devido à dor nas articulações do corpo (causada pela artrite). De qualquer forma, é importante ressaltar que essa doença em geral não afeta a longevidade", complementa.

Consulte sempre um especialista em caso de dúvidas e ele indicará o tratamento mais adequado e resultados mais precisos.


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