Descoberto em 1984, o vírus HIV é um dos mais graves problemas da saúde humana, mas sua complexidade nem sempre é valorizada quando o assunto é prevenção.

Segundo o Ministério da Saúde, só no Brasil, cerca de 866 mil pessoas possuem o vírus HIV, sendo que 73% dos casos ocorrem em homens. O Dia Mundial de Combate à AIDS, 1 de dezembro, alerta para o número de casos da doença e visa a conscientizar sobre a prevenção e o tratamento.

Mesmo com as constantes ações de conscientização realizadas pela mídia e por órgãos do governo, muitas dúvidas ainda são recorrentes para o grande público.

Confira alguns dos principais mitos e verdades sobre a AIDS e seja você também um agente de conscientização.

Caso o teste dê negativo, ainda há possibilidade de ter contraído HIV

Verdade. Após o contato de risco, ainda leva um tempo até que o vírus chegue no sangue e a resposta imunológica ocorra. Esse período é chamado de janela imunológica e se o teste for feito durante esse momento o teste pode dar negativo mesmo com o paciente infectado. Com os testes mais modernos, esse período costuma ser de três semanas, mas para maior segurança após a exposição, sugerimos a repetição da testagem até três meses do contato.

Para a transmissão é preciso ter penetração

Verdade. Mas vale lembrar que o vírus pode ser transmitido por meio de relações sexuais ou acidentes com material biológico. As relações orais também apresentam risco, apesar de ser uma forma de infecção extremamente incomum. Não há risco de transmissão no contato indireto da pele íntegra com secreções, sangue, saliva, nem há risco de transmissão através de beijo, abraço, suor e outros contatos.

Em situações que não existem sintomas, é possível que a pessoa não tenha HIV

Mito. A maioria dos pacientes não apresentam qualquer sintoma durante muitos anos de infecção. Após uma exposição de risco, o indivíduo poderá apresentar sintomas de uma infecção viral específica em até três semanas. Esses sintomas são autolimitados e se assemelham muitas vezes a um resfriado. A partir desse momento, a pessoa não sentirá mais nada. Porém ao longo dos meses e anos, o vírus lentamente irá reduzir o sistema imune do paciente, até que cerca de cinco a dez anos após a infecção, poderá manifestar sintomas de imunossupressão.

Trabalhos como tatuador, manicure ou dentista podem acabar transmitindo a doença

Mito. Toda precaução tomada normalmente por esses profissionais busca evitar a transmissão de diversas doenças. Portanto, se nesses ambientes são utilizados agulhas, alicates, ferramentas esterilizadas ou descartáveis, não há qualquer risco de transmissão. Ressalta-se que pacientes já estão em tratamento e o vírus não é detectável no sangue não são capazes de transmitir a infecção.

Mulheres soropositivas podem ter filhos normalmente sem que estes tenham HIV

Verdade. Caso tenham sua carga viral indetectável, especialmente no momento do parto. Para isso é fundamental que o diagnóstico seja feito precocemente e que a medicação seja tomada durante toda a gestação. Nos casos em que se detecta tardiamente a infecção, a utilização de medicações no trabalho de parto e no pós-parto, ajudam na diminuição da transmissão.

No Brasil, é possível fazer uma prevenção medicamentosa para evitar a contaminação

Verdade. Está disponível no SUS a medicação para prevenção do HIV. Pessoas que não possuem o vírus, mas que apresentem vulnerabilidade para infecção pelo HIV podem fazer uso da medicação para como estratégia de infecção, aliada às outras estratégias de prevenção já existentes, como preservativo. O uso da Profilaxia Pré-Exposição é acompanhado de seguimento médico cuidadoso, para monitoramento de outras ISTs e aconselhamento.

Mesmo realizando o tratamento correto, portadores do HIV podem ter um tempo de vida mais curto

Mito. Atualmente, com a melhora substancial dos esquemas terapêuticos, início precoce das medicações e maior retenção dos pacientes nos sistemas de saúde, estima-se que a expectativa de vida desses pacientes é equivalente a população geral.

Pessoas em tratamento transmitem o HIV

Mito. A terapia antirretroviral (TARV) usada corretamente reduz a quantidade do HIV no sangue para níveis tão baixos que se tornam indetectáveis nos exames utilizados para contá-los. Permanecer no tratamento é importantíssimo para evitar a replicação do vírus e chegar à carga viral indetectável. Novos tratamentos conseguem reduzir o nível de carga viral para nível indetectável em até 8 semanas. Pesquisas demonstraram que alcançar e manter uma carga viral “continuamente indetectável” não só preserva a saúde da pessoa que vive com HIV, mas também evita a transmissão sexual do vírus para os parceiros e parceiras sexuais. Atualmente trabalha-se com o conceito de: Indetectável = Intransmissível (I=I).