Os números são alarmantes. Até 70%* das “fake news” (notícias falsas) têm mais chances de viralizar nas mídias sociais do que as notícias verdadeiras. Entre elas, as informações sobre saúde são as mais comuns. Segundo Erica Fernanda, nutricionista do Hospital 9 de Julho, às campeãs são as notícias sobre emagrecimento. “As crenças populares, somadas ao apelo emocional e às receitas de dietas milagrosas fazem com que muitas pessoas compartilhem notícias falsas”.

A especialista explica que, além das informações duvidosas sobre emagrecimento, as “fake news” podem ter consequências mais graves. “Sem a informação correta, as pessoas podem acreditar na notícia e prejudicar sua saúde ao fazer dietas ou exercícios errados” reforça Erica que lembra também que antes da internet, isso já acontecia. “Na época da escravidão, os senhores do engenho criaram a crença de que comer manga com leite fazia mal só para evitar que os escravos roubassem o leite da fazenda, mas não existe comprovação científica sobre isso”.

Para ajudar a esclarecer algumas “fake news” famosas nas mídias sociais, fizemos uma lista explicando cada uma delas. Confira!

Quem tem colesterol alto não pode comer ovo: Fake. O aumento do colesterol não está relacionado apenas aos níveis de colesterol encontrados nos alimentos. Está associado a questões como a prática de atividade física, genética, ganho de peso e dieta pobre em fibras e gordura trans. “Por isso, o consumo do ovo, por si só, não costuma aumentar o nível de colesterol a ponto de ser um risco para a saúde” explica a nutricionista.

Beber água quente com limão em jejum emagrece: Fake. Essa técnica não elimina a gordura e não existe nenhuma comprovação científica sobre isso. A especialista reforça ainda que nenhum alimento é capaz de eliminar peso. “Alguns alimentos podem ajudar na perda de peso como os termogênicos, que aceleram o metabolismo e o gasto de energia, como a cafeína”. A ingestão de líquido, de forma geral, ajuda também na hidratação e desinchaço do organismo. Para perder peso e queimar gordura deve-se diminuir as calorias totais ingeridas durante o dia, consumir menos açúcar, alimentos ricos em gorduras e praticar exercícios físicos.

Chocolate diet engorda menos do que o tradicional: Fake. Apesar de não ter açúcar, o alimento diet tem mais gordura saturada que os produtos convencionais para chegar ao sabor próximo ao açúcar, podendo ser mais prejudicial à saúde e conter mais calorias. Não é recomendado para dietas de emagrecimento, e sim para diabéticos.

Comer abacaxi após as refeições emagrece: Fake. O abacaxi quando consumido após as refeições auxilia no processo digestivo, mas não diminui os valores calóricos e nem interfere na absorção das gorduras das refeições.

Carboidratos integrais não engordam: Fake. Os alimentos integrais possuem as mesmas ou até mais calorias que os alimentos refinados. A única diferença é que são ricos em vitaminas, minerais fibras e são absorvidos pelo corpo mais lentamente o que dificulta que a pessoa engorde, por ter saciedade por mais tempo. Mas se forem consumidos em excesso, também podem elevar o peso.

A especialista indica que, ao receber mensagens “milagrosas”, deve-se desconfiar. “Não existe fórmula mágica para o emagrecimento. Então, caso alguém receba mensagens com receitas milagrosas, desconfie, procure um especialista e não repasse para outras pessoas”.

Fonte: http://news.mit.edu/2018/study-twitter-false-news-travels-faster-true-stories-0308