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O cérebro é o responsável por mandar estímulos ao resto do corpo. Em milésimos de segundos, vários comandos são processados simultaneamente. Mesmo uma tarefa simples, como pentear o cabelo, envolve milhões de neurônios para ser executada. Mas todo esse caminho complexo pode ficar comprometido por conta de um gene de suscetibilidade, que impede a bainha de mielina, capa que protege os neurotransmissores, de ser reconhecida pelo organismo.

A consequência desse problema é a Esclerose Múltipla, uma doença degenerativa que, em longo prazo, compromete os movimentos do corpo. Apesar de ser predisposta por genes, o distúrbio não é hereditário e costuma atingir jovens por volta dos 30 anos, em sua maioria mulheres. Sua incidência é maior em países mais frios, como os do hemisfério norte, mas ainda não se sabe exatamente o porquê.

Sintomas

Os primeiros sinais da doença são os formigamentos nos membros, que podem vir acompanhados da perda da visão de um dos olhos, sintomas semelhantes aos indícios de um AVC (Acidente Vascular Cerebral). Os sintomas podem aparecer por dias seguidos e voltarem depois de alguns anos, dificultando o diagnóstico. Este espaço de tempo assintomático é chamado de remissão e acontece em 90% dos casos. 

Tratamento

Apesar da dificuldade de se movimentar, a Esclerose Múltipla não afeta a capacidade do raciocínio. Quanto antes os sintomas forem identificados, ainda no primeiro surto, mais eficiente pode ser o tratamento que, além de medicamentos, pode envolver um trabalho de reabilitação multidisciplinar. 

O tratamento da doença evoluiu nos últimos anos, com drogas que possibilitam a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Ainda assim, quem é diagnosticado com a doença precisa fazer uso dos medicamentos pelo resto da vida e contar também com o acompanhamento de uma equipe médica especializada.

Dr. Antônio César Galvão é neurologista do Centro de Dor do H9J.