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Novo método para tratamento da endometriose profunda

01/02/2019

O aparelho, que já era utilizado em outras especialidades, como cabeça e pescoço, permite preservar a função dos nervos durante a retirada de lesões da endometriose

A equipe de ginecologistas do Núcleo de Endometriose do H9J testou, com sucesso, o C2 Monitor de Nervos N/S: 15H003, aparelho que faz a monitorização da função dos nervos e promete ajudar no tratamento cirúrgico e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida das pacientes com endometriose profunda, com o objetivo de tentar ao máximo preservar a função urinária, fecal e sexual das mulheres que se submetem ao tratamento cirúrgico para a retirada das lesões.

Apesar de já ser utilizado em outras especialidades médicas, como cabeça e pescoço, por exemplo, a grande novidade para a Ginecologia são os eletrodos desenvolvidos especialmente para a pelve.

De acordo com a Dra. Bárbara Murayama, coordenadora da equipe de Ginecologia do H9J, o equipamento provoca estímulos elétricos para identificar os nervos autonômicos na pelve com o objetivo de identificar no intra-operatório a função desses nervos, mesmo sendo necessária a retirada de lesões de endometriose próximas ou até no próprio nervo.  

Dificuldade de identificar o nervo: monitorização ajuda o cirurgião 

Como a endometriose altera a anatomia normal, frequentemente é difícil para o cirurgião identificar o nervo, por mais bem treinados que estejam. A monitorização nervosa, portanto, ajuda o cirurgião a identificar o nervo e preservá-lo durante a retirada das lesões, oferecendo um resultado de cirurgia ainda melhor, com mais segurança para a paciente.   

"O dano parcial ou até total de um desses nervos pode ser necessária porque uma cirurgia ótima de endometriose envolve a retirada de todos os focos que enxergamos. E isso, muitas vezes, envolve tirar um pedaço do nervo. Mas, com esse equipamento, podemos fazer o diagnóstico da lesão no intra-operatório e, mais rapidamente, no pós-operatório, gerenciar as consequências de forma adequada, como retenção urinária e fecal, por exemplo. Em geral, as consequências são transitórias, mas muito incômodas", explica a Dra. Bárbara. 

Teste foi realizado pela equipe durante cirurgia 

A equipe da Ginecologia, composta pelos cirurgiões Dr. Pedro Leopoldo Doria, Dr. Fernando Asanuma e Dra. Barbara Murayama receberam treinamento teórico e prático para a nova técnica de monitorização de nervos e a aplicação foi realizada no dia 31/01, durante cirurgia para tratamento de um caso de endometriose profunda.

A Dra. Bárbara explica que, antes do início da cirurgia, foram introduzimos 3 eletrodos (agulhas fininhas nos músculos ao redor do ânus, o que levou menos de 5 minutos. 

"Depois, no intra-operatório, após dissecção adequada, quando chegamos a área anatômica dos nervos, um eletrodo foi introduzido como uma pinça comum de laparoscopia e demos um choquinho no nervo que estava com lesão ao redor. Ele estava com resposta normal ao estímulo. Então, com base nessa informação, mudamos a estratégia e buscamos uma preservação ainda mais cuidadosa, retirando toda a lesão, tendo certeza que o nervo foi preservado. Testamos, depois da ressecção completa, e tudo estava funcionando bem. Ficamos muito animados e seguros com o resultado. O tempo a mais que demoramos foi de menos de 10 minutos. Ainda são necessários mais estudos pois, obviamente, é algo novo. Mas estamos otimistas", afirma. 

O novo aparelho tem manuseio bastante simples e os eletrodos são descartáveis. "E ele nos fornece um laudo ao final, que é mais um documento que podemos acessar para que a transparência sobre o ato cirúrgico seja comprovada", finaliza.

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