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Diabetes é doença silenciosa, mas grave

21/02/2018
​​​​​​​​Cerca de 14​ milhões de pessoas no Brasil têm diabetes, segundo dados da Sociedade Brasileira de​ Diabetes. Caracterizada pelo excesso de glicose no sangue, a chamada hiperglicemia, o Diabetes decorre da ação inadequada da insulina, hormônio produzido pelo pâncreas e responsável pela metabolização da glicose, mas também pode ocorrer quando não há produção dele pelo organismo. Quando não tratada, a doença pode causar cegueira ou doença renal crônica. A doença é diagnosticada por meio de exames de sangue.

Há dois tipos de diabetes.  No Tipo 1 a produção de insulina pelo pâncreas é praticamente nula e ocorre principalmente em crianças e adultos jovens. O Tipo 2, mais comum em adultos,  está associado ao sobrepeso. "Nesses pacientes o excesso de gordura corporal atrapalha a ação da insulina resultando, com o passar dos anos, em hiperglicemia", afirma a Dra. Roberta Frota Villas Boas, endocrinologista do Centro de Rim e Diabetes​ do Hospital 9 de Julho.

No Diabetes Tipo 2, porém, há um agravante. Durante anos a pessoa pode não apresentar sintomas e, com isso, não procurar o tratamento adequado. A falta de tratamento faz com que a doença evolua com complicações, tanto no Tipo 1 quanto no Tipo 2.  Isso ocorre porque causa alterações funcionais e estruturais ao longo do tempo tanto nos vasos responsáveis pela macro quanto os que fazem a microcirculação. Entre as complicações de diabetes, as mais importantes são a retinopatia (deterioração dos vasos da retina), a nefropatia (redução da função dos rins) e a neuropatia (danos nos nervos que afeta extremidades como pés, pernas, mãos e braços).

Prevenção

Para evitar as complicações do Diabetes, é preciso seguir as recomendações médicas e manter um estilo de vida saudável. Prática de exercícios físicos, controle da dieta, realização do autoexame para medição da glicose, evitar o consumo de álcool e cigarro são alguns cuidados. São recomendados também cuidados especiais com os olhos e com a saúde bucal. 

AVC.png  Acidente Vascular Cerebral (AVC)

​​​​​​O diabetes é um dos fatores de risco para o Acidente Vascular Cerebral (AVC), evento que pode lesar o cérebro tanto por falta de circulação sanguínea (Isquêmico) como por um sangramento (hemorrágico). As causas mais comuns dos isquêmicos são entupimento dos vasos sanguíneos que pode ser provocado por trombose (coágulos) e embolias vindas do coração. Existem outros fatores de risco como hipertensão arterial, cardiopatias, arritmias cardíacas, obesidade, dislipidemias, tabagismo, etilismo, sedentarismo e outros. Já no caso dos AVCs Hemorrágicos, a causa principal é a hipertensão arterial.

Os sintomas dos AVCs, tanto isquêmicos como hemorrágicos, dependem do local do cérebro que é atingido, mas normalmente são: paralisias de um lado do corpo, problemas da linguagem (afasias), desequilíbrio, vertigem, alterações da visão e da sensibilidade.



doenca_cardiovascular.png​​Doença Cardiovascular
O diabetes também é um fator de risco para as doenças cardiovasculares:
Infarto do miocárdio - Ocorre quando uma artéria que irriga o coração fica obstruída, leva à falta de circulação e à consequente morte das células. 
Angina - Também conhecida como dor no peito e pode ter diversas causas, por isso, ao primeiro sinal de forte dor no local, deve-se procurar avaliação médica. Fatores de risco são tabagismo, diabetes, obesidade, hipertensão arterial, colesterol elevado e sedentarismo.
Doenças valvares - O coração possui quatro válvulas, responsáveis pela manutenção do correto fluxo sanguíneo. Se uma destas não funciona corretamente, o fluxo pode ficar comprometido, causando o sopro cardíaco, falta de ar, dor no peito, entre outras complicações.
Insuficiência cardíaca - Diversas doenças cardiovasculares, se não forem corretamente diagnosticadas e tratadas, podem evoluir para um quadro mais grave: a insuficiência cardíaca, quando o coração tem suas funções comprometidas. O ideal é não chegar à insuficiência, que tem um tratamento mais complexo, podendo ser necessário o transplante cardíaco.
Além do acompanhamento periódico, a prática de atividades físicas regulares e uma alimentação balanceada ajudam a prevenir doenças cardíacas. 


doenca_gengiva.pngDoença nas gengivas 

No caso da saúde bucal também é importante ter um acompanhamento periódico com o dentista porque o sangue do diabético, com alta concentração de glicose​, é mais propício ao desenvolvimento de bactérias. Como a boca é a via de entrada dos alimentos, por ali passam vários corpos estranhos que, junto com o resto de comida, favorecem a proliferação de bactérias.


cegueira.pngCegueira

 Entre as complicações de diabetes, as mais importantes são a retinopatia, ou seja, a deterioração dos vasos da retina. "As células da córnea da pessoa com diabetes têm algumas diferenças com relação a dos outros pacientes, o que torna os olhos portas de entrada para várias infecções e doenças como glaucoma e catarata", afirma a Dra. Roberta Frota Villas Boas.


saudedosrins.pngProblemas nos rins

Obesidade,  consumo excessivo de sal, baixa ingestão de água, diabetes e uso abusivo de antiinflamatórios podem contribuir para o desenvolvimento da insuficiência renal. Essa doença acontece quando o rim perde sua função aos poucos, em um processo irreversível. De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia, a doença renal crônica atinge 11% da população, sendo que 90% dessas pessoas não sabem disso. É uma doença silenciosa, que só começa a manifestar sintomas quando o rim está funcionando abaixo de 40% da sua função.

O rim não é um mero filtro do corpo. Ele também é responsável pela parte endócrina do corpo, além de prevenir anemia, controlar a pressão arterial e balancear vários níveis do organismo, como a quantidade de cálcio e fósforo, o PH, os eletrólitos e fazer o balanceamento hídrico.



​​transtorno_nervos.pngTranstorno nos nervos 

A chamada neuropatia diabética periférica compromete o funcionamento dos nervos periféricos do organismo, responsáveis pela transmissão de informações pelo cérebro e para o cérebro. Os principais sintomas são sensação de formigamento, dor, queimação ou perda de sensibilidade nos membros. 

O diabetes também pode provocar a neuropatia autonômica, levando a sintomas como hipotensão postural (queda repentina da pressão arterial ao levantar), impotência sexual, alteração da motilidade do estômago (gastroparesia), entre outros.



​​pé_diabetico.pngPé diabético
A falta de circulação associada à perda de sensibilidade nos membros inferiores é o que chamamos “pé diabético” e pode levar a pessoa a se ferir (mesmo apenas se coçando) e, sem sensibilidade, sequer perceber, o que pode resultar em uma úlcera, infecção ou, devido à própria falta de circulação, até à amputação do membro afetado.

Em alguns casos, existe um procedimento cirúrgico que pode ajudar a reversão do quadro. É a correção endovascular, que é a revascularização das artérias afetadas. Para prevenir essa situação é importante cuidar bem da higiene, cortar as unhas com cuidado, hidratar a pele e tomar muito cuidado com traumas ou lesões, já que o simples ato de se coçar pode levar a uma lesão mais grave. Importante para não desencadear complicações da doença é seguir rigorosamente o tratamento, aliado a 30 minutos de caminhada diária. E, também essencial, nunca fume se você é diabético!

Seguindo as orientações médicas, você evita as complicações e consegue viver de forma saudável apesar da doença.


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