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Transplante de Fígado

O Hospital 9 de Julho está habilitado para realizar transplantes de fígado tanto de doadores falecidos quanto de intervivos. Atualmente conta com o Programa de Transplante de Fígado Intervivos Adulto, composto por equipes multiprofissionais capacitadas para a realização dessa cirurgia complexa a altamente especializadas.

Uma dessas equipes é coordenada pela Profa. Dra. Estela Regina Ramos Figueira, professora Livre-docente pela Disciplina de Cirurgia do Aparelho Digestivo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que atua no hospital há vários anos. São médicos integrantes da equipe a Profa. Dra. Margareth Pauli Lallée, a Profa. Dra. Eloiza Helena Quintela, o Prof. Dr. Joel Avancini Rocha Filho e o Prof. Dr. Matheus Fachini Vane.

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O procedimento cirúrgico do transplante de fígado intervivos é extremamente complexo e altamente especializado. Nesse caso, o transplante de fígado ocorre quando o fígado doente é totalmente retirado e substituído por uma parte do fígado retirado de um doador vivo, geralmente parente do paciente. Já no caso do transplante fígado com doador falecido, o paciente recebe, geralmente, um fígado inteiro.

A cirurgia do transplante intervivos envolve a realização de dois procedimentos cirúrgicos concomitantes, em dois pacientes, o doador e o receptor do transplante. Para a realização desse procedimento, é necessária uma equipe constituída por vários médicos cirurgiões e anestesistas altamente treinados.

Do ponto de vista de infraestrutura, é imperativo o suporte de um hospital com foco em cirurgias de alta complexidade, com a disponibilização de equipamentos modernos com constantemente atualização tecnológica.  Também destacamos a necessidade do envolvimento de equipes multiprofissionais: enfermagem, hepatologistas, hematologistas, radiologistas, infectologistas, neurologistas e outros profissionais especializados.

O Hospital 9 de Julho conta com Centro Cirúrgico e unidade de cuidados intensivos totalmente preparados para procedimentos dessa alta complexidade.

​​​​Em que casos é indicado o transplante de fígado?

O transplante de fígado é indicado geralmente nos seguintes casos:

- Cirrose hepática descompensada;

- Insuficiência hepática terminal;

- Cirrose complicada com câncer do fígado;

- Hepatite aguda grave (fulminante).

As principais complicações da cirrose, que podem indicar necessidade de transplante de fígado, compreendem aparecimento de ascite (líquido intra-abdominal), encefalopatia, sangramento digestivo e câncer de fígado.

Nos casos de insuficiência hepática, o paciente também pode desenvolver icterícia (pele e olhos amarelos) e coagulopatia com aparecimento de hematomas, por exemplo.



​​Quais são as principais doenças que afetam o funcionamento do fígado?

As principais doenças que acometem o fígado apresentam-se em duas principais categorias: hepatites/cirrose e câncer.

Hepatite significa inflamação do fígado, sendo que a inflamação crônica do fígado pode levar à cirrose. As hepatites mais frequentes e que, consequentemente, podem levar à cirrose hepática incluem as hepatites por vírus B e vírus C, hepatite por álcool, gordurosa, medicamentosa e outras mais raras como a hepatite autoimune, colangite biliar primária e colangite esclerosante primária.

As hepatites têm tratamento específico, com maior índice de sucesso ou melhor controle da doença, quando diagnosticada em fase mais inicial e tratada por médico hepatologista.

Os casos mais graves, que evoluem com complicações da cirrose, podem ter indicação de transplante de fígado na maioria das vezes. É importante destacar que, atualmente, com o crescimento da obesidade na população, há um número crescente de casos de hepatite gordurosa, com ao dos casos cirrose hepática por hepatite gordurosa.

A segunda categoria de doenças envolve o câncer do fígado, que pode ser uma doença primária das células do fígado ou das células biliares. O aparecimento desse tipo de câncer é mais frequente em pacientes com hepatites e, principalmente, em casos de cirrose.

O fígado também pode ser afetado por metástases de câncer provenientes de outros órgãos, principalmente relacionados a casos de câncer de cólon (intestino grosso). O tratamento do câncer do fígado geralmente passa por uma equipe multiprofissional, envolvendo cirurgiões, hepatologistas, oncologistas e radiologistas intervencionistas.



​​​​O que é hepatite fulminante? Há indicação para o transplante nesse caso?

A hepatite fulminante é uma complicação de hepatite aguda. A doença acomete pessoas saudáveis sem doença prévia do fígado, caracterizando-se por uma condição grave associada ao aparecimento de alterações neurológicas leves, com progressão para confusão mental, sonolência, até coma e insuficiência de múltiplos órgãos, nos casos mais avançados.

Todos os casos com hepatite aguda grave devem ser avaliados por uma equipe de transplante quanto a necessidade de transplante de fígado. Existem critérios bem definidos, clínico-laboratoriais, que podem indicar transplante de urgência.



​​Que danos a cirrose causa no fígado e como preveni-los?

A cirrose decorre da inflamação crônica do fígado com destruição das células saudáveis, que são gradualmente substituídas por fibrose. A perpetuação da inflamação leva à progressão da fibrose até o grau de cirrotização, com perda gradual das funções normais do fígado.

Atualmente, as principais causas de inflamação crônica do fígado que podem levar à cirrose são a doença gordurosa não alcóolica, a doença hepática alcoólica, as hepatites crônicas virais por vírus da hepatite C, o vírus da hepatite B, e outras causas mais raras destacando-se hepatite autoimune, colangite esclerosante primária, colangite biliar primária, cirrose biliar secundária, doença de Wilson, deficiência de alfa-1-antitripsina.



​​​​Quais são as especificidades do hepatocarcinoma em fígado cirrótico?

O hepatocarcinoma ou carcinoma de células do fígado apresenta incidência pelo menos cinco vezes maior no fígado cirrótico em comparação com casos sem cirrose.

A cirrose associada à inflamação crônica do fígado predispõe à formação de nódulos displásicos que podem originar as células cancerígenas. É importante destacar que é comum o surgimento de vários nódulos ao longo do tempo, por isso esses pacientes requerem o transplante de fígado, evitando a progressão do tumor, com grande probabilidade de cura da doença. Entretanto, existem critérios bem definidos quanto ao tamanho e número de tumores para a inscrição desses pacientes com hepatocarcinoma em lista para transplante de fígado. 



​​Quais são os principais sintomas que indicam que o fígado está doente?

A doença hepática está relacionada com sintomas gerais como fraqueza, emagrecimento, palidez, náuseas; e sintomas mais específicos como icterícia (pele e olhos amarelados), aumento do volume abdominal por retenção de líquido, inchaço dos tornozelos e pernas, coceira, urina escura, sangue nas fezes ou vômitos com sangue, equimoses, lesões de pele (telangiectasisas), ginecomastia (desenvolvimento de tecido mamário), e encefalopatia, esta última relacionada a alterações do estado mental.

Geralmente, o paciente apresenta um ou dois sintomas específicos, mas com progressão da doença, podem surgir vários sintomas.



​​Que tipo de exames são indicados para o diagnóstico das doenças de fígado?

Muitas vezes, a história clínica e o exame físico já podem indicar a doença. O diagnóstico inicial pode ser complementado com ultrassonografia de abdome e exames de sangue com enzimas do fígado, bilirrubinas, e sorologias para vírus. Outros exames como a ressonância de abdome, a endoscopia digestiva, e exames de sangue mais específicos podem ser solicitados conforme os achados dos exames iniciais.


​​Como é o pós-operatório de um paciente que teve o fígado transplantado?

O pós-operatório do transplante de fígado tem algumas particularidades em relação a outras cirurgias de grande porte. Após a cirurgia, o paciente fica alguns dias em Unidade de Terapia Intensiva - UTI, onde recebe cuidados continuamente, enquanto o fígado transplantado inicia o seu funcionamento.

Quando não há funcionamento do fígado, que ocorre em até aproximadamente 5% dos casos, é necessário o retransplante imediato. Após recuperação na UTI, o paciente é transferido para o apartamento, onde deve permanecer até a alta hospitalar.

Nesse período, podem ocorrer complicações como a rejeição do fígado transplantado, geralmente tratada com aumento dos medicamentos imunossupressores e, principalmente, complicações infecciosas. Mais raramente pode ocorrer trombose da artéria hepática, que leva a necessidade de novo transplante. 



​​​​Como é o acompanhamento do paciente que teve o fígado transplantado?

Após a alta hospitalar, o paciente transplantado deverá ter acompanhamento médico com a equipe especializada por toda a vida. Inicialmente, deve retornar em consultas com o médico para avaliação das condições do fígado transplantado semanalmente, depois, quinzenalmente. Mais tarde, os retornos passam a ser mensais, depois a cada 3 meses, e em períodos mais tardios, pode chegar a retornos semestrais.

Entretanto, deve-se ter em mente que caso ocorra alguma nova intercorrência, pode ser necessária uma nova internação ou mesmo retornos mais frequentes. A expectativa é de que a incidência de complicações, principalmente relacionadas a imunossupressão, diminuam ao longo do tempo, embora o acompanhamento médico após o transplante seja sempre necessário.


​​Quem pode ser doador de fígado? É possível doar apenas uma parte do fígado? Onde é realizada a captação do órgão?

No transplante intervivos, o doador é um paciente com maioridade, geralmente parente do receptor.  Em casos selecionados de pacientes que necessitam de transplante, este pode ser realizado com parte do fígado de um dador vivo, com por exemplo, nos casos de câncer do fígado (hepatocarcinoma) e outros casos de cirrose. Nesses casos, os dois procedimentos de retirada da parte do fígado do doador e de transplante do receptor são realizados no Hospital 9 de Julho pela equipe de transplante.

Entretanto, a maioria dos transplantes dos pacientes adultos são realizados com órgãos provenientes de doadores falecidos. Estes órgãos são captados em diferentes hospitais, geralmente na Grande São Paulo, onde o doador encontra-se internado. Eventualmente, pode ser necessária a captação do órgão no interior do Estado de São Paulo, ou mesmo fora do estado.



​​É preciso entrar em uma fila para receber o fígado doado para transplante? Como é esse processo?

Todos os pacientes com indicação de transplante de fígado devem ser inscritos em lista de transplante, cadastrada na Central de Transplantes da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo. O cadastro do paciente é realizado pela Equipe de Transplante que o acompanha junto ao hospital onde a equipe atua, no nosso caso, o Hospital 9 de Julho.

Durante o cadastro, são enviados os exames recentes de bilirrubina, creatinina, tempo de protrombina (INR) e sódio sérico atualizados do paciente para o cálculo do MELD e posicionamento do paciente na lista. A posição do paciente pode mudar de acordo com a gravidade da doença. Os casos mais graves geralmente apresentam MELD com valores mais altos, atingindo posições no começo da fila com maiores chances de serem transplantados.

Entretanto, algumas complicações da cirrose, onde os exames do MELD alteram-se pouco, mas há um risco alto para o paciente, como nos casos de encefalopatia hepática, ascite intratável e hepatocarcinoma, entre outros, os pacientes podem receber uma pontuação especial, que possibilita uma chance real de transplante. 



​​Quais são os benefícios de se realizar um transplante de fígado no Hospital 9 de Julho?

O Hospital 9 de Julho é um centro altamente capacitado para a realização de procedimentos de alta complexidade como é o caso do transplante de fígado com doador falecido e, principalmente, o transplante de fígado intervivos. Tanto o Centro Cirúrgico quanto as Unidades de Terapia Intensiva disponibilizam as novas tecnologias, com equipe de enfermagem e equipes médicas altamente capacitadas.

A Equipe de Transplante de Fígado do Hospital 9 de Julho é composta por cirurgiões e anestesistas altamente especializados e experientes na realização do Transplante de Fígado Intervivos (com doador vivo), bem como do Transplante com doador falecido.



​​Conheça os médicos da equipe 

Profa. Dra. Estela Regina Ramos Figueira é professora livre-docente pela disciplina de Cirurgia do Aparelho Digestivo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Possui graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina da USP (1992), doutorado em Ciências Médicas pela Universidade de São Paulo (2008) e Pós-doutorado pela FMUSP (2015). Foi médica supervisora do Serviço de Transplante e Cirurgia do Fígado do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (2002 a 2009).

Atualmente, é responsável-técnica por uma das equipes de transplante de fígado do Hospital 9 de Julho, supervisora do Serviço de Vias Biliares e Pâncreas do departamento de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, colaboradora do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (HC-FMUSP) e Professora Colaboradora da Faculdade de Medicina da USP.

Profa. Dra. Margareth Pauli Lallée é cirurgiã da equipe de Transplante de Fígado do H9J, Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (2000), graduada em Medicina pela Universidade Federal do Espírito Santo (1986). Possui residência em Cirurgia Geral (1987-1988) no Hospital das Clínicas da UFES, Residência em Cirurgia Geral Avançada (1989-1990) no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Foi assistente do Serviço de Transplante de Fígado do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (1992-2002) e médica Cirurgiã do Serviço de Transplante de Fígado do Hospital Israelita Albert Einstein (2002-2007).

Também foi médica da Equipe de Transplante de Fígado do Hospital de Transplantes Dr. Euryclides de Jesus Zerbini (2010-2018). Atualmente, é assistente médica do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - Grupo de Cirurgia Oncológica (desde 2002). É professora de Ensino Superior em Clínicas Cirúrgicas I e Bases Morfofuncionais II na UNINOVE.

Profa. Dra. Eloiza Helena Quintela, é cirurgiã da equipe de Transplante de Fígado do H9J, graduada em medicina pela Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia do Espírito Santo (1992). Possui residência em Cirurgia Geral (1992-1994) e em Cirurgia Geral Avançada (1994/1996) no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Foi assistente do Serviço de Transplante de Fígado do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (1994-2002), médica Cirurgiã do Serviço de Transplante de Fígado do Hospital Israelita Albert Einstein (2002-2007), e médica cirurgiã da Equipe de Transplante de Fígado do Hospital de Transplantes Dr. Euryclides de Jesus Zerbini (2010-2016). Atua como médica cirurgiã do Aparelho Digestivo do Núcleo de Hepatites Virais no Instituto de Infectologia Emilio Ribas desde 2002.

Prof. Dr. Joel Avancini Rocha Filho é anestesista da equipe de Transplante de Fígado do H9J, doutor em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (2006), foi graduado em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1984). Possui Pós-Doutorado na Faculdade de Medicina da USP (2015). É médico supervisor da Divisão de Anestesia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP desde 1999. Atualmente, é um dos mais experientes anestesistas em Transplante de Fígado e Órgãos do Aparelho Digestivo, Supervisor da Equipe de Transplantes do HCFMUSP. Também é professor colaborador da Faculdade de Medicina da USP e orientador do Programa de Pós-Graduação senso estrito Doutorado da Disciplina de Anestesiologia do HCFMUSP.

Prof. Dr. Matheus Fachini Vane é anestesista da equipe de Transplante de Fígado do H9J, doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (2016) e foi graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina da USP (2009). Possui residência em Anestesiologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (2013) e MBA em Gestão da Inovação em Saúde pelo Instituto Butantã. Atualmente, é médico assistente da Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, atuando na área de anestesia em Transplante de Fígado e Órgãos do Aparelho Digestivo e professor doutor da Faculdade de Ciências Médicas de São José dos Campos.



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